quinta-feira, 4 de março de 2010

P361-O NOSSO PLANO DE ACTIVIDADES PARA 2010

O nosso primeiro Plano de Actividades para 2010 está finalmente pronto para análise e discussão.
Qualquer sugestão de alteração ou comentário deverá ser feito no habitual local dos comentários ao poste ou directamente para os endereços electrónicos dos membros directivos.
Participem,  pois  o contributo de todos é fundamental para o desenvolvimento do nosso projecto humanitário:
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PLANO DE ACTIVIDADES PARA 2010
I - APRESENTAÇÃO
1
Os promotores da recém constituída “TABANCA PEQUENA – GRUPO DE AMIGOS DA GUINÉ-BISSAU - Apoio e Cooperação ao Desenvolvimento Africano”, associação sem fins lucrativos e com a natureza de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento - ONGD, e todos membros dos Corpos Gerentes (Conselho de Administração e Conselho Fiscal) e da Mesa da Assembleia-Geral, eleitos na Assembleia-Geral Eleitoral do dia 12 de Dezembro de 2090 para desempenharem o primeiro mandato (biénio de 2010-2011) estatutário, apresentaram aos associados a sua candidatura com um programa cujas linhas não podiam, como é obvio, afastarem-se ou divergirem dos princípios e objectivos estatutários.
Assim, comprometendo-se a trabalhar em prol da cooperação e do apoio ao desenvolvimento económico, social e educativo das povoações e populações de países africanos em desenvolvimento, em especial os de língua oficial portuguesa (PALOP´S), nomeadamente, a Guiné-Bissau, assumiram fazê-lo sob os princípios gerais da honestidade, ética e transparência, que são a essência do exercício de actividades dirigidas à solidariedade e ajuda humanitária, e que decorrem dos objectivos definidos na Lei Nº 66/98 que regula as  ONGD’s.
2
Os Estatutos da associação confiam-lhes a realização dos seguintes fins:
a)   Elaborar, promover e executar programas e acções de voluntariado e estabelecer parcerias com instituições e comunidades locais, com vista à cooperação e apoio ao desenvolvimento económico, social e educativo das povoações e populações de países africanos em desenvolvimento, em especial os de língua oficial portuguesa (PALOP´S), nomeadamente, a Guiné-Bissau.
b)  Conceber e promover no seu seio um centro de convívio, ajuda, solidariedade e de troca de experiências em projectos de cooperação e apoio levados a cabo com o trabalho voluntário de antigos combatentes na Guiné-Bissau
Como programa de trabalho para o seu mandato, os Corpos Gerentes e os membros da mesa da Assembleia-Geral desafiam os associados, através de um profícuo esforço conjunto, a levar a cabo os seguintes projectos:
1.   Sensibilizar a opinião pública portuguesa, especialmente os antigos combatentes na Guiné e seus familiares, bem como a opinião pública internacional para os problemas ligados ao subdesenvolvimento económico, social, sanitário e educativo dos países africanos, nomeadamente, dos PALOP’S, e, especialmente da Guiné-Bissau, com vista ao seu envolvimento em acções de apoio e cooperação;
2.   Formar voluntários, com adequada preparação humana e profissional, para integrarem equipas e grupos de acção no terreno, com vista ao crescimento económico, social e humano das povoações e populações dos países em desenvolvimento, em especial a Guiné-Bissau;
3.   Promover convívios e eventos de natureza social e cultural com vista à angariação e recolha de fundos financeiros, meios técnicos e bens de equipamento para garantir a execução dos projectos e programas de acção em que a associação se envolva.
4.   Promover a realização de acções de apoio nas áreas da saúde, nomeadamente apoio a doentes oriundos dos PALOP’s, especialmente da Guiné-Bissau;
5.   Estabelecer parcerias com instituições de Saúde, de Educação e de Formação Profissional e Cultural da Guiné-Bissau; e,
6.   Realizar parcerias com instituições locais no âmbito do desenvolvimento rural e aproveitamento dos recursos de energias renováveis.
3
Estabelecemos como tarefas prioritárias, quer para o corrente (primeiro) ano, quer para o nosso mandato, a organização interna e externa da Associação, através das seguintes acções genéricas:
Desenvolvimento de acções e contactos com vista a atingirmos a muito breve prazo o número de 150 associados;
1.   Promoção por todos os meios da obtenção de uma sede e instalações sociais autónomas, que reúnam condições para o correcto desempenho das acções para as quais a Associação se encontra vocacionada;
2.   Promoção da constituição de uma biblioteca com livros sobre temas relacionados com a problemática do desenvolvimento, ou a interpretação dos factos históricos relacionados com a Guerra do Ultramar e a sua influência no desenvolvimento sócio cultural, especialmente no que diz respeito à Guiné-Bissau;
3.   Estabelecimento de relações institucionais com os organismos oficiais nacionais e internacionais da área do desenvolvimento e ajuda humanitária, nomeadamente com o IPAD do M N E, com  o Banco Mundial, com a UE, etc.;
4.   Promoção de contactos com associações congéneres de forma a acolher as suas experiências e fomentar parcerias com as mesmas, e estabelecer com elas uma futura Plataforma de ONGD’s para a Guiné-Bissau, para um correcto aproveitamento de sinergias.
4
Acções de Apoio e Cooperação ao Desenvolvimento e de Ajuda Humanitária:
1.       Angariar fundos e bens que reverteram para apoiar a Comunidade de Santa Mãe, em Cuntum-Madina (Jardim Infantil, Ambulatório Pediátrico e Centro de Recuperação Nutricional) especialmente as irmãs, Laura e Teresa, da Congregação Marianitas que têm vindo a desenvolvendo um trabalho domiciliário de Recuperação Nutricional e dão assistência aos prisioneiros na prisão de Bissau (medicamentos, comida, etc)
2.       Apoiar financeiramente a Clínica Pediátrica S. José de Bor, tanto na vertente da aquisição de medicamentos como na de material hospitalar, bem como apoiar as crianças que se deslocam a Portugal para tratamentos, ou aos seus acompanhantes, através de parcerias, devidamente protocoladas, com a Instituição Religiosa detentora da Clínica;
3.       Colocar no terreno o PROJECTO “ÁGUA E SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU”, desenvolvendo acções com vista a fomentar uma parceria estreita com a ONG guineense AD-Acção para o Desenvolvimento”, tendo em vista o financiamento de abertura de poços e de instalação de bombas de elevação da água por grupos de electro-bombas alimentados por painéis de energia solar, para fornecimento de água potável e para rega a Tabancas de zonas desertificadas bem como um programa anual de fornecimento de sementes de leguminosas e hortícolas às povoações onde vão ser instalados os grupos de electro-bombas referidos na alínea anterior, bem como a formação para novas práticas e culturas agrícolas, com vista à produção de novos bens alimentares.
4.       Apoiar o Jardim Infantil Bispo D. Septtímio em Cuntima-Madina, através do PROJECTO “VAMOS AJUDAR O JARDIM INFANTIL D.SEPTTIMIO” cuja responsável a irmã Lília, da Comunidade de Santa Mãe, nos sensibilizou para a necessidade premente de quadros de parede, para cada uma das 4 salas de aula bem como de outros equipamentos didácticos infantis, bem como material didáctico diverso.
5.       Colocar no terreno o PROJECTO “CONTRA OS DESNUTRIDOS” que consiste no apoio e ajuda generalizada aos Centros de Recuperação Nutricional da Diocese de Bafatá, nomeadamente: Centro de Bafatá, Bambadinca, Gabu, Bula, Empada, Catió, Bedanda,….).

II - DESENVOLVIMENTO DOS PROJECTOS

PROJECTO 1 -  “CONTRA A INDIFERENÇA”

Projecto desenvolvido e realizado em 2009 no âmbito da nossa Associação mas executado numa fase da sua pré-formalização institucional.
1 - Coordenadora e responsável do projecto
Maria Rute Oliveira Campos - sócia nr.97
2 - Objectivos
a.        Angariação de Fundos que reverteram para apoiar a Comunidade de Santa Mãe, em Cuntum-Madina (Jardim Infantil, Ambulatório Pediátrico e Centro de Recuperação Nutricional) especialmente as irmãs, Laura e Teresa, da Congregação Marianitas que fazem um trabalho domiciliário de Recuperação Nutricional e dão assistência aos prisioneiros na prisão de Bissau (medicamentos, comida,…)
b.       Envio de um contentor de bens
3 - Actividades
a.        Divulgação da Campanha, para angariação de fundos e de bens para este projecto (elaborar lista de contactos, envio de e-mails, cartas, faxes, contactos pessoais,
b.       Organização de um Jantar de Beneficência, para angariação de fundos, realizado a 13 de Fevereiro de 2009, pelas 21h na Fundação Cupertino de Miranda
c.        Leilão de Pintura de Beneficência, realizado a 13 de Fevereiro de 2009, no final do Jantar de Beneficência.
Quadros oferecidos para o leilão:
§ Técnica mista – Pintor Jorge Curval
§ Óleo s/ Tela – Pintora Helen Doc
§ Acrílico s/ Tela – Pintora Maria do Carmo
d.       Angariação de donativos de bens a empresas e particulares (envio de cartaz, reuniões,…);
e.       Embalagem de donativos particulares;
f.         Levantamento e carregamento de bens oferecidos pelas empresas, quando estas não entregavam directamente no armazém da empresa David José de Pinho, em Perafita;
4 - Resultados
§ Total de donativos angariados: 5 090,00 € (Cinco mil e noventa euros)
         Leilão + Jantar de Beneficiência + Donativos pessoais
§ Distribuição dos donativos
§  3 590,00 € (Três mil quinhentos e noventa euros) entregues à irmã Lília, responsável da Comunidade de Santa Mãe, em Cuntum-Mádina;
§  1 500,00 € (Mil e quinhentos euros) entregues è irmã Laura.
5 - Envio de um contentor com bens, para a Guiné Bissau
Os bens do contentor, foram entregues à responsável da Comunidade de Santa Mãe, em Cuntum-Mádina, Irmã Lília.
Esta comunidade é uma Missão próxima de Bissau e que tem uma infra-estrutura constituída pelo Jardim Infantil Bispo D. Sepptímio, dos 3 aos 6 anos de idade; um Ambulatório Pediátrico Mattia e um Centro de Recuperação Nutricional
6 - Conteúdo do Contentor:
Roupa de Verão, brinquedos, jogos, material escolar (livros escolares do 1º ao 4º ano, livros de exercício de escrita ou caligrafia, canetas, lápis, lápis de cera, lápis de filtro, cadernos, blocos, borrachas, aguças, livros de histórias ou contos,…) material didáctico (cadernos, blocos, livros para colorir, jogos, livros variados, …), material diverso para o ambulatório (luvas esterilizadas e não esterilizadas, gaze, seringas de 5 ml e 12,5 ml, papel para receitas, canetas permanentes de filtro, canetas normais, cadernos grandes), guloseimas.
7 - Entidades que colaboraram:
Porto Editora - oferta material para 1000 crianças;
Empresa de Transporte David José de Pinho – oferta do transporte do contentor para Bissau;
Gráfica - oferta dos convites para o Jantar de Beneficência
Fábricas têxteis;
Particulares…

PROJECTO 2 -  “AJUDA À CLÍNICA PEDIÁTRICA S. JOSÉ DE BOR”
1 – O que é a Clínica Pediátrica de Bor
A Clínica Pediátrica de Bor nasce da conjugação dum desejo de um pároco da paróquia de S. José em Bor o Padre Ermanno Battisti, um missionário Milanês que dedicou a maior parte da sua vida à Guiné Bissau e às suas gentes e da vontade de uma ONGD, Progetto Anna que se constituiu para dar corpo a sonho de uma jovem de nome Anna que faleceu precocemente com um projecto de ajuda humanitária entre mãos. Os seus amigos e familiares quiseram homenageá-la, perpetuando o seu trabalho e a sua dedicação numa Associação que desse corpo ao projecto do Padre Ermano Battisti.
Uma das acções a que desde logo se propõem é de prestar ajuda tanto médica como medicamentosa a crianças especialmente as mais desfavorecidas oriundas dos estratos sociais mais pobres da GB que infelizmente, como é do conhecimento geral, pululam naquele país.
2 – Acção do seu Director Clínico
Uma das formas de ajuda à Clínica de Bor tem vindo a ser prestada pelo Hospital de S. João do Porto que periodicamente recebe crianças com cardiopatias reumatismais, para serem operadas naquela Unidade Hospitalar.
A dada altura, a acompanhar um grupo de duas crianças que se deslocaram a Portugal para serem operadas no Hospital de S. João, veio o seu jovem Director Clínico, Pediatra Dr. Augusto Bidonga com quem a nossa Associação travou conhecimento e que nos relatou as condições de precariedade e carência em que aquele hospital trabalha já que a quase totalidade da população a quem presta assistência, não tem recursos para pagar os internamentos e a medicação que nunca a Clínica nega.
Posteriormente viríamos mesmo a saber que aquele clínico nunca conseguia receber a totalidade do seu magríssimo ordenado já que uma parte ficava sempre consignada ao custo de medicamentos que entretanto eram necessários para fazer face a este e aqueles casos urgentes.
 3 – As carências da Clínica
Num pais onde se sucedem os problemas relativos ao desenvolvimento das populações, a Saúde é naturalmente uma das áreas mais carenciadas vivendo quase exclusivamente de ajudas externas quer Institucionais quer de ONGD que no terreno vão suprindo essas carências sempre de forma deficitária.
Os medicamentos, especialmente aqueles que fazem face às inúmeras infecções quer víricas, quer bacterianas, são sempre escassos. Os antibióticos os antipalúdicos e os antidiarreicos estão sempre em falta na farmácia da Clínica bem como material para perfusões endovenosas tamanho pediátrico, etc..
4 – Como nos propusemos ajudar
A nossa Associação nasceu no seio de um grupo de antigos combatentes da Guerra Colonial na Guiné que na década de 60 e 70 viveram dois dos seus melhores anos de vida naquela terra, convivendo estreitamente com as suas gentes de tal forma que criaram laços que se têm perpetuado ao longo de todo este tempo.
Particularmente sensíveis aos múltiplos problemas humanitários que se foram entretanto agudizando, resolveram dinamizar-se para criar um Fundo que de alguma forma constituísse mais uma gota de água no oceano das necessárias das carências daquele País.
Nesse sentido e desde há mais de uma ano que informalmente se vêm semanalmente juntando e dessas reuniões parte da despesa paga reverte a favor do referido Fundo.
5 – O que já foi feito
Em Agosto de 2009 e com parte do Fundo criado, compraram-se medicamentos e material hospitalar que foi remetido via DHL para a Clínica de Bor.
Este método no entanto veio a mostrar-se pouco eficaz e demasiado oneroso já que para um total de cerca de € 370,00 de medicamentos e material hospitalar se liquidou à DHL pelo transporte dos mesmos € 185.00.
Igualmente nessa data o Fundo suportou 200,00 € de despesas de transporte do Porto para Lisboa para ser despachado um eco-cardiógrafo oferecido pelo Hospital de S. João.
Neste momento nova remessa de antibióticos acaba de ser despachada em contentor comercial graças à colaboração dos proprietários da Casa Correia de Bissau, Sr. José Carlos Correia desta vez com uma dimensão bastante superior: foram 250 doses individuais de antibióticos no valor comercial de cerca de 2000,00 € e que em breve equiparão a debilitada farmácia da clínica de Bor.
6 – O valor da informação
A fim de fomentarmos a confiança temos vindo a publicar semanalmente nas páginas do nosso blogue as contas de todos os movimentos contabilísticos do nosso Fundo de Ajuda à Clínica de Bor de tal forma que tornamos do domínio público as ofertas, donativos e valores que nos são confiados para esse fim.
A confiança gerada com esta acção tem sido uma das responsáveis pelo sucesso semanal das nossas acções de recolha de fundos entre os membros da nossa Associação.
7 – Conclusão
Os nossos projectos não pararão por aqui. Estamos em contacto permanente com a Clínica de Bor para irmos ajudando na supressão de outras carências específica e urgentes.

PROJECTO 3 -  “ÁGUA E SEMENTES PARA A GUINÉ-BISSAU”

1 - Um problema global e da Guiné-Bissau
A desertificação das terras aráveis nos países africanos em desenvolvimento, nomeadamente nos da zona sub-sariana, causadas pelo excesso de produção de CO2, sobretudo por parte dos países mais desenvolvidos,  e pelo  abate indiscriminado das florestas quer para exploração de madeiras exóticas, quer pelas queimadas para alargamento de áreas de cultivo e pastoreio, quer para combustível, tem vindo a progredir de forma avassaladora tornando-as inférteis por toda a África.
Também a Guiné-Bissau tem vindo a sofrer os efeitos nefastos destas alterações climáticas, verificando-se cada vez mais a falta de água potável e para rega das plantações, o que se tem acentuado nas últimas dezenas de anos. Há tabancas  – aldeias locais - onde a população tem de fazer caminhadas de 10 e mais kms, várias vezes ao dia,  para conseguir suprir as suas necessidades de água potável.
Torna-se, por isso, urgente encontrar soluções globais para tão grande problema que, a pouco e pouco, vai afectando toda a humanidade. Essas soluções não estão ao alcance do cidadão comum. No entanto, há que encontrar soluções para essas populações locais. Todos nós podemos e devemos assumir medidas, ainda que simples, de modo a corrigir as assimetrias que os efeitos das alterações climáticas e atmosféricas têm vindo a provocar localmente afectando as populações mais humildes e mais carenciadas.
Perante a gravidade da falta de água em tabancas da Guiné-Bissau, há ONGD’s que já estão no terreno a desenvolver projectos de captação de água potável. Porém, não conseguem responder a todos os pedidos das populações e satisfazer as suas reais necessidades. 
2 - O PROJECTO
I - Sistemas de captação de água
Apoiar a instalação de 10 (dez) sistemas de captação de água potável e de rega, promovendo oi financiamento das seguintes acções através de parcerias a estabelecer com ONGD’s locais:
Abertura de furos artesianos ou poços, a levar a cabo por contratação local de empresas especializadas ou de mão-de-obra (poceiros). 
Aquisição no mercado local de painéis solares e instalação dos mesmos.
Aquisição e montagem de bombas hidráulicas.
Montagem do suportes metálicos  e colocação de depósitos de água.
Fomento da horticultura com oferta de sementes e acções de formação na área agrícola.
Custos de cada sistema: 5.000 € = Total € 50.000,00
II - Sementes
Recolha de fundos para aquisição de um “stock” de sementes de culturas hortícolas adaptáveis às condições climáticas da Guiné-Bissau.
III Parcerias locais
Foram já estabelecidos contactos com vista à celebração de um acordo, que será devidamente protocolado, com a ONG Guineense, com sede em Bissau
AD – Acção para o Desenvolvimento
Esta ONGD actuará no terreno com elementos que acompanharão o desenvolvimento de todo o projecto, e que prestará os seguintes apoios:
·       Localização das tabancas onde a falta de água se faz sentir mais intensamente.
·       Promoção das acções necessárias para a abertura dos furos artesianos ou poços e instalação do equipamento necessário.
·       Estudo dos terrenos propícios a horticultura.
·       Dinamização das populações locais com acções de formação dos grupos de responsáveis pela exploração comunitária das terras cultivadas de modo a tirar o melhor rendimento das infra-estruturas montadas e das respectivas culturas.
IV - Financiamento
1.       Campanha de recolha de fundos/donativos já a decorrer junto dos sócios da Associação Tabanca Pequena e de outros ex-combatentes  e seus familiares, nomeadamente através dos blogues de ex-combatentes nomeadamente através do blogues de ex-combatentes
e
2.       Estabelecimento de parcerias com Instituições e fundações da União Europeia e de Portugal como p. e. IPAD, Fundação EDP, Fundação Gulbenkian, etc. bem como com empresas portuguesas, com as quais protocolaremos apoios específicos para o projecto.



PROJECTO 4 -  “VAMOS AJUDAR O JARDIM INFANTIL D. SEPTTIMIO”

1 - Coordenadora e responsável do projecto
Maria Rute Oliveira Campos   sócia nr.97
2 - Objectivos
Apoiar o Jardim Infantil Bispo D. Septtímio cuja responsável a irmã Lília, da Comunidade de Santa Mãe, em Cuntum-Madina nos têm vindo a sensibilizar para a necessidade premente de quadros de parede, para cada uma das 4 salas de aula bem como de outros equipamentos didácticos infantil.
Actualmente, no decorrer das aulas as professoras escrevem em lousas tradicionais rectangulares que levantavam para cima, a fim de apresentar aos seus alunos a matéria leccionada e/ou os exercícios solicitados na aula.
3 - Satisfação do Pedido
Já se encontram disponíveis por doação os 4 quadros solicitados e diverso material didáctico infantil e brinquedos
Espera-se em breve, faze-los seguir num contentor para a Guiné-Bissau.
4 - Entidades que colaboraram
Os 4 quadros em material cerâmica para cada uma das salas de aula e um stock considerável de respectivos consumíveis (canetas para escrever no quadro e papéis próprios para os apagadores) foram oferecido pelo ISLA – Instituto Superior de Línguas e Administração e os restante material foi oferecido pela Casa do Caminho de Matosinhos.

Projecto 5 -  “ABRAÇAR OS DESNUTRIDOS DA GUINÉ-BISSAU”

1 - Coordenadora e responsável do projecto
Maria Rute Oliveira Campos   sócia nr.97
2 -Objectivos
Este projecto consiste no apoio e ajuda aos Centros de Recuperação Nutricional da Diocese de Bafatá, nomeadamente: Centro de Bafatá, Bambadinca, Gabu, Bula, Empada, Catió, Bedanda,….).
Inicialmente este projecto, dedicava-se apenas a apoiar um dos Centros de Recuperação Nutricional ao longo de 3 anos e nasceu de um encontro entre, o Director das Missões da Diocese do Porto, Padre Almiro Mendes, e Maria Rute Campos, ambos associados da Tabanca Pequena-Grupo de Amigos da Guiiné-Bissau.
De seguida foi estabelecido um contacto com o Bispo da Diocese de Bafatá, Dom Pedro Zilli, no sentido de se tentar tomar conhecimento, de qual dos Centros necessitaria de um apoio e intervenção mais urgente. Após este contacto, o propósito do presente projecto alterou-se. Por sugestão do Senhor Bispo, o valor e bens angariados para o projecto, seriam distribuídos equitativamente por todos os Centros de Recuperação Nutricional da Diocese de Bafatá, uma vez que todos eles se encontram muito carenciados.

3 - O Projecto na sua actual fase
Para além do mencionado anteriormente, também será realizado um trabalho de  apoio às irmãs Laura e Teresa, da Congregação Marianitas, que efectuam um apoio domiciliário aos desnutridos e às mães grávidas, em Bissau
Neste projecto para além da angariação de fundos em dinheiro, estão também contemplado os contactos a empresas que se enquadrem no âmbito do mesmo, a fim de poderem ser angariados os seguintes bens (Farinhas lácteas, farinhas nutricionais, leite em pó, biberões, tetinas, chupetas, fraldas descartáveis, fraldas de pano, roupas de bebé, produtos de higiéne, vitaminas e cálcio para as mães grávidas, soutiens de amamentação, …..)
Lista de empresas a contactar: Nestlé, Dodot, Chicco, Nuk, Continente, Fábricas roupa bebé, Bebecar, Bial,
4 - Actividades Previstas
Algumas das actividades apresentadas de seguida, já se encontram em funcionamento e outras já foram concretizadas:
-        Estabelecimento de contactos para divulgação do projecto e pedido de participação e colaboração na promoção de campanhas de solidariedade do mesmo;
-        Elaboração da lista de contactos para pedidos de donativos e bens, assim como planificação de reuniões;
-        Elaboração e envio de cartazes, e-mails, faxes,.... quer para divulgação do projecto, quer para angariação de donativos em dinheiro e bens;
-        Realização de cartazes publicitários sobre o projecto dos desnutridos;
-        Distribuição de cartazes pelos diversos locais, previamente contactados;
-        Realização de um Workshop de Dança de Ritmos Africanos, promovida pela Academia de dança João Bertocchini. O valor do workshop reverterá para o projecto dos desnutridos da Guiné Bissau;
-        Realização de uma venda de Natal em Dezembro de 2009, para angariação de fundos, organizada pelos alunos do Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, da Escola Secundária Filipa de Vilhena;
-        Contactos já estabelecidos com diversas empresas.
-        Campanhas de solidariedade em desenvolvimento, para angariação de fundos, com o apoio e participação das seguintes Instituições:
×          Estabelecimentos de Ensino - Escola Secundária Filipa de Vilhena, Escola Secundária João Gonçalvez Zarco e Colégio Internato dos Carvalhos;
×          Cruz Vermelha Portuguesa - O contacto estabelecido foi com o Presidente da Delegação de Braga, Dr. Francisco Alvim;
×          UFP – Universidade Fernando Pessoa;
×          ISLA – Instituto Superior de Línguas e Administração;
×          Academia de Dança João Bertocchini;
×          Igreja de Cristo Rei;
×          Pensão Manuel Pires, situada no Gerês;

terça-feira, 2 de março de 2010

P360 - Assembleia Geral Extraordinária



ASSEMBLEIA-GERAL EXTRAORDINÁRIA
da
Associação “TABANCA PEQUENA-GRUPO DE AMIGOS DA GUINÈ-BISSAU-
 Apoio e Cooperação ao Desenvolvimento Africano" 
CONVOCATÓRIA


A pedido do Conselho de Administração, convoco, nos termos do artigo 25º dos Estatutos, a ASSEMBLEIA-GERAL EXTRAORDINÁRIA, que terá lugar no dia 17 de Março de 2010, quarta-feira, nas instalações do Restaurante:  “Milho Rei”, sito na Rua Heróis de França, nº 721, em Matosinhos, pelas 13,00 horas, com a seguinte


ORDEM DE TRABALHOS:
Ponto Um – Discussão e Aprovação do Plano de Actividades e do Orçamento para o ano    de 2010;
Ponto Dois – Informações do Conselho de Administração;
Ponto Três – Assuntos Diversos.
A Assembleia-Geral reunirá á hora marcada estando presente a maioria dos sócios, e meia hora depois, com qualquer número.

OBS: 1. O Voto por procuração é exercido através de carta mandadeira dirigida ao Presidente da Mesa, podendo ser-lhe dirigida anexa ao correio electrónico da Associação: tabancapequena@gmail.com
         2. Os Estatutos da associação estão transcritos no blogue da associação:
tabancapequenadematosinhos.blogspot.com  Post 267.

Leça do Balio e sede da Associação, 02 de Março de 2010

O Presidente da Mesa da Assembleia-Geral

(Eduardo Moutinho Santos)

segunda-feira, 1 de março de 2010

P359-Ainda o IV Convívio dos Ex-combatentes da Guiné do Concelho de Mstosinhos

Da autoria do nosso Tertuliano e amigo Fernando Santos, jornalista do Jornal de Matosinhos, aqui vai em primeira mão, este belo texto que será  publicado no dia 5 de Março naquele jornal.
É um apelo a que tu, camarada, que estivestena Guiné, venhas confraternizar connosco. Verás que não te vais arrepender.


E tu, quem és?

Já se passaram muitos anos.

Abril ainda baila nos corações nostálgicos de quem ainda tão novo, foi embalado nas ondas do Atlântico ao encontro daquela terra vermelha com sabor africano.

Era um tempo de saltimbancos e de biscates silenciosos, de andorinhas e de melros que cantavam ao fim da tarde nos jardins das casas burguesas. Mas era, igualmente, um tempo de mar e de traineiras, um tempo operário e clandestino, com a Fábrica das Redes, a Algarve Exportadora, a Oliveira & Ferreirinhas e tantas, tantas outras empresas do nosso Matosinhos a verem partir os seus colaboradores para a guerra colonial.

O destino era África e as colónias portuguesas.

Naquele tempo, era muito difícil explicar aos rapazes jovens o “porquê” de terem de combater numa extensão territorial muito diferente do solo que os vira nascer. Era um tempo diferente. Um bocado à imagem da submissão instituída e da divisão por sexos, com escolas para meninas e escolas para meninos. Era um tempo em que os rapazes jogavam à bola na rua, em renhidas peladinhas do “muda aos seis e acaba aos doze” e, as meninas, faziam casinhas de brincar para desenvolverem a sua capacidade para a procriação, para no futuro cuidarem da casa, do maridinho, dos filhos e desenvolverem o modelo de mulher como um dia o sonhou Filipa de Vilhena.

Mas nesse tempo dos nossos vinte anos, existia uma coisa muito bonita que era o “respeitinho!”

Naquela altura, nos transportes públicos, as pessoas levantavam-se dos seus lugares, para o oferecerem a uma mulher grávida ou a uma pessoa mais velha que, entretanto, viajava de pé.
E hoje?

Naquela altura, os pais eram mesmo “Encarregados de Educação” e os professores eram respeitados nas escolas e nas salas de aulas.
E hoje?


Naquela altura a utopia vestia-se de vários encantos. Até o puritanismo era diferente; aliás, não era senão uma forma de enganar desejos ocultos e assentes, na maioria das vezes, nos tabus impostos pela política dominante.
E estávamos na década de sessenta e depois, apareceu a década de setenta do século passado!...
Foi um tempo de Coimbra, de Maio, de uma Seara Nova e dos Movimentos estudantis. Foi, igualmente, um tempo de Miller Guerra, de Sá Carneiro, de Francisco Balsemão e de outros liberais que, na então Assembleia Nacional, representavam a mudança que Abril mais tarde protagonizou.
E nós, éramos jovens.
A maioria de nós, éramos mesmo muito jovens.
Passei muitos anos que tinha jurado a mim mesmo nunca mais falar disso. Nem à minha mulher, nem aos meus filhos, nem aos meus amigos. Percebo agora que fiz mal. Devia ter contado a toda a gente para que toda a gente soubesse o que foi a Guerra e em especial a Guerra na Guiné-Bissau.
Hoje, numa espécie de catarse, tento recuperar o tempo perdido e sempre que posso, confraternizo com os camaradas que estiveram, igualmente, naquele território africano.
Graças à persistência e convivência destes camaradas, que há tempos se juntam num almoço em Matosinhos, com o fim de sedimentarem camaradagens e amizades antigas, foi criada recentemente, uma Associação, para ajuda ao povo guineense. E quando a causa é Solidariedade, todas as acções são bem vindas.

Amanhã, Sábado dia 6 de Março, aqui num Restaurante em Matosinhos, um grupo considerável de matosinhenses que têm em comum, um dia terem sido mobilizados para a Guiné-Bissau, vão confraternizar num almoço de camaradagem e de saudade e perante proeminentes barriguinhas e névoa em alguns cabelos, vão recordar a generosidade esbelta da sua juventude e perguntar ao camarada do lado:
E tu, quem és?
Em que zona da Guiné estiveste?

E perante o desfilar das recordações vai ser bonito ouvir balbuciado nos lábios destes combatentes, novamente, a palavra “Pátria”.

f.silvasantos@netcabo.pt

domingo, 28 de fevereiro de 2010

P358-As Crónicas do Zé Rodrigues

Mais uma excelente crónica do Zé Rodrigues que periodicamente nos delicia com estes textos simples mas muito cativantes.
Apreciem:



“Istórias” da História da Guerra Colonial – Guiné-Bissau
“CONVERSAS À MESA COM CAMARADAS AUSENTES”
6 - As férias na Metrópole e o regresso ao Xitole
Ainda no Aeroporto de Pedras Rubras, tudo se conjugava para viver momentos inesquecíveis. Ficara para trás a incerteza da Guiné, a experiência de voo em aviões “Caravelle” a jacto, e era a presença da família, da namorada e de amigos da juventude. Pela recepção e pelo carinho e emoção com que me rodearam, já sentia o quanto valeu a pena ter vindo de férias. Todos queriam saber de mim e da guerra. Para eles, essa coisa que, estando tão longe e por vezes tão perto, representava sempre risco de perderem alguém. Já no aconchego da nossa casa, o meu Pai mostrava alguma compreensão pelas minhas escolhas na vida e era o mais interessado nos pormenores da guerra, especialmente naqueles com leitura política. Como actuava o PAIGC? Que forças tinham? Que áreas controlavam? E como é o teu dia a dia? A minha Mãe, como todas as Mães do mundo, abraçava-me a toda a hora, como quem precisa de sentir para acreditar que o filho estava ali. O rosto da minha namorada espelhava a felicidade de me ter a seu lado. A minha velhinha avó paterna, que me criou até aos cinco anos e que nutria por mim uma afeição especial por eu ser o seu primeiro neto, achava que estava muito magrinho e insistia para que me alimentasse melhor.
Eram tempos de partilha com a família e do regular convívio de café com os amigos, alguns deles com a possibilidade de virem a “bater com as costas” na guerra de África. As motivações que me impeliram para vir de férias faziam todo o sentido. Tinha agora uma relação mais afectuosa com o meu Pai, transmiti à minha namorada a confiança de que os nossos sentimentos eram o futuro e estava recuperado do enorme desgaste físico em que me encontrava. Mas o tempo voa, especialmente nestas circunstâncias e, quase sem se dar por isso, a data do regressar à Guiné estava aí.
No dia do regresso, a família e a namorada acompanharam-me ao aeroporto. Enquanto se aguardava a hora das despedidas, o meu Pai pediu-me que, no regresso definitivo a casa, lhe trouxesse duas garrafas de vodka para oferecer a amigos. Percebi a motivação do pedido e garanti-lhe que seria satisfeito.
Algo afastados do local em que me encontrava com a família notei a presença de um grupo de pessoas que incluía algumas minhas conhecidas, todas de luto, e com semblantes de dor. Dirigi-me para junto dessas pessoas, cumprimentei as que conhecia, e indaguei dos motivos do luto e da presença no aeroporto. Foi como se tivesse levado um coice no peito. Fomos Amigos de escola, Colegas na equipa de Natação do Leixões, Companheiros da Vida e Tu, logo Tu, havias de tombar em combate na Guiné.
A família a namorada e amigos estavam ali à espera da urna para lhe fazerem o funeral. Partilhei com eles alguns momentos de pesar e dor. Quando os informei de que estava ali para regressar á Guiné, ficaram pesarosos e desejaram-me a maior sorte do Mundo. O tempo que restava não me permitiu assistir á chegada da urna do meu Amigo.
Evitei que a minha família percebesse o motivo porque me tinha afastado.
Posteriormente, viria a saber que o meu Companheiro e Amigo que servia nas tropas paraquedistas, havia tombado na zona de Galomaro, numa emboscada junto de uma fonte.
Era o regresso marcado pelas sombras da guerra.
Mas valeu a pena ter vindo de férias. Estava grato pelo carinho de todos e fiquei rendido aquelas lágrimas rebeldes que vi saírem dos olhos do meu Pai, no momento do abraço de despedida. Sim, eu sei que valeu a pena.
Tal como a viagem de barco, a viagem de avião de regresso à Guiné faria escala em Cabo Verde, desta vez na Ilha do Sal. Fizemos uma paragem de cerca de uma hora e, por aquilo que pude ver, a ilha era muito árida e pouco povoada.
Desci em Bissau no início de Junho e já chovia. À boleia, numa viatura militar, fui de Bissalanca até ao Depósito de Adidos em Brá.
Aqui, fiquei aguardar transporte para o Xitole. Instalado, apressei-me a ir cumprimentar o Sargento Enfermeiro que me havia tratado quando cheguei à Guiné, pela primeira vez. Já não me conhecia, era normal, tanta gente lhe havia passado pelas mãos mas, devia-lhe a gratidão pelo seu cuidado e disso dei testemunho do meu agradecimento.
Este tempo de espera permitiu-me “saborear” Bissau, os seus recantos e encantos, mistérios e até perigos. Pude desta feita, conhecer os locais mais frequentados pela tropa “macaca”. Quantos de nós terão resistido á tentação de se aventurar pelo “Pilão” e sentir aquela atmosfera de provocação, aquela mistura de desafio, “pecado” e até magia que nos envolvia. Eram as mulheres mais lindas, sobretudo as de origem caboverdiana, o motivo maior da nossa atenção.
Falava-se de que, por estas bandas, aconteceriam rixas bravas entre as tropas especiais, cada qual, numa demonstração da superioridade das suas “boinas”. Eram os tempos de se “pisar o risco” e de se dar livre escape à irreverência da juventude.
Era a quase obrigação de se ir ai ao UDIB dar um mergulho na piscina, ver-se um filme e depois irem alguns, os poucos que gostavam, comerem-se umas ostras ali para os lados do cais.
E o ponto de encontro, camaradas?
Lembram-se do imperdível Café Bento?
Haverá porventura alguém que tenha passado por Bissau, especialmente da classe das praças, que não conheça o Café Bento?
Era o nosso ponto de encontro, camaradas. Ali se encontravam os amigos, os amigos dos amigos, os conhecidos dos amigos e até, pasme-se, os desconhecidos. Em pouco tempo se ficava a saber tudo o que se passou, o que se passava e o que viria a passar-se em qualquer canto, por mais escondido que estivesse no território da Guiné.
Era a nossa 5ª Rep. O serviço de informações mais eficiente, existente no território.
Entre umas canecas de boa cerveja e uma engraixadela dos sapatos a conversa fluía sempre interessante e actualizada. Foi neste meio que encontrei o namorado, de uma colega de trabalho da minha namorada, que estava no Forte de Amura como Polícia Militar. Logo ali me disponibilizou cama e mesa de qualidade bem superior à do Depósito de Adidos. Porque será que não me surpreendeu a sua atitude? É que a malta, naquelas circunstâncias, é capaz das atitudes mais nobres só para ter por perto alguém que lhe fale daquilo que lhe é familiar.
E nestas andanças, chegou o dia 9 de Junho de 1971.
Estava-mos na véspera do Feriado Nacional e, para minha surpresa, estava nomeado Cabo de Dia ao Depósito de Adidos. Acreditem camaradas, nunca tinha feito tal serviço. Só fui promovido a Primeiro-Cabo na data do embarque em Lisboa e, no mato, os enfermeiros estavam dispensados de serviços, assim pensava eu. Algo me dizia, e disso comecei a convencer-me, de que nada acontecia por acaso.
Ao início da noite, enquanto o pessoal em formatura aguardava a chegada do Sargento de Dia para a verificação de presenças, ouviram-se uns enormes estrondos de rebentamentos, que me pareceram vir, ali mais para os lados de Bissau. À ordem do Sargento de Dia, todos fomos procurar abrigo nas enormes “valetas” que ladeavam a parada alcatroada. Após os primeiros impactos, os Sargento e Oficial de Dia comentavam que Bissau estaria a ser atacada.
Ó diabo, nem aqui se está bem?  
Não se ouviam sirenes de ambulâncias. O que estaria acontecer em Bissau, será que sofremos muitas baixas?
Essa noite foi de alerta geral. Aconteceu o que muitos, á muito tempo vaticinavam. Era o fim do mito do refúgio seguro.
O PAIGC tinha feito uma demonstração do seu atrevimento e força.  
No dia seguinte, nas conversas do Café Bento o assunto era o ataque a Bissau. Era assunto incontornável a que ninguém ficava indiferente. Uns diziam que os “mísseis” caíram ali para os lados dos tanques de combustível da Sacor, que ficavam nas margens do Geba às portas da cidade. Outros, afirmavam que todos os rebentamentos se deram nas bolanhas bem longe da cidade.
Em Bissau e no interior, esta evolução da guerra deixou-nos a todos muito apreensivos. Que futuro?
Fiquei marcado com a convicção que nada seria como dantes na Guiné depois daquela noite.
Deixei Bissau de retorno ao Xitole a bordo de uma avioneta DO.
Foi uma sensação difícil de descrever quando sobrevoei do Xitole, momentos antes de a avioneta tocar a “pista”. Eu sabia o que via, eu sentia o que via e sabia ao que vinha.
Nada podia alterar o rumo das coisas. Estava novamente confrontado com a amarga realidade da guerra.
Todas as visitas da avioneta ao Xitole geravam um movimento anormal de pessoas na zona do “hangar”, fosse pela curiosidade ou pela ânsia do tão desejado correio.
Lá estava, entre tantos, o meu camarada enfermeiro que, mal me viu, apressou o passo para me dar um abraço de boas vindas e ajudar a carregar os meus haveres.
Como te correram as coisas, só com o Galé a ajudar-te? Disparei eu.

Continua…………………….

sábado, 27 de fevereiro de 2010

P357-A NÃO PERDER


IV CONVÍVIO DOS EX-COMBATENTES DA GUINÉ DO CONCELHO DE MATOSINHOS

De acordo com o prometido
, a organização vem informar que o Almoço será servido no dia 6 de Março no Restaurante Marisqueira Majara que fica situado na Rua do Godinho, 343, em Matosinhos, mesmo em frente à saída do Parque de Estacionamento das Marisqueiras. 

O preço do almoço será de 25 €uros.

Para evitar publicar a Ementa por inteiro, esclarecemos que no preço estão incluídos serviço de Bar, Aperitivos, Sopa, Prato de peixe (quem quiser pode optar por carne), vinhos, sobremesa, café e digestivos.

Está já confirmada a presença, de novo, do senhor General Carlos Azeredo, o que muito nos honra.

Temos cerca de 125 inscrições confirmadas o que irá constituir um novo máximo de participantes.

Lembramos que a concentração dos ex-combatentes e acompanhantes será em frente ao edifício da Câmara Municipal (Jardim Basílio Teles), a partir das 12 horas.

Bonito espaço compreendido entre o edifício da Câmara, à esquerda, e o Parque Basílio Teles, à direita da foto
Foto retirada da Página da 
Câmara Municipal de Matosinhos, com a devida vénia.


Se algum dos camaradas forasteiros se sentir desorientado, pode recorrer aos nossos números de telefone para saber como e onde nos encontrar.

- António Maria - 938 492 478
- Carlos Vinhal - 916 032 220
- José Oliveira - 917 898 944
- Ribeiro Agostinho - 969 023 731

P356-A tabanca de 24-02-2010


Mais uma vez com atraso, desta vez por termos marcado presença ontem em Monte Real no encontro mensal da Tabanca do Centro que será objecto de um oportuno poste individual.
Foi mais uma jornada de grande alegria e confraternização, desta vez "abrilhantada" pela festa antecipada de aniversário do Fernandino Leite que no dia seguinte faria 67 anos e pela presença de muita juventude em vésperas de partida para a Guiné por terra.
Ao todo, fomos 40 "atabancados" a almoçar mais um, o António Carvalho, que ainda a apareceu já depois de almoço e quis deixar o seu contributo de 3,00 € para ser incluído no euro milhões... fezadas!!!!
 
Caras novas foram 4, O Jorge Fontinha veterano do Blogue pai do Luís Graça, o Eduardo Monteiro, o Joaquim Ramos Silva. o Manuel Santos, aqui retratados pela mesma ordem.
 

 A Juventude de que de repente nos vimos envolvidos ajudou e de que maneira, a sentir-mo-nos também jovens camaradas de armas senão vejam:
O Dr. Tiago Teixeira, filho do Zé Teixeira que insistiu em acompanhar o pai de luto profundo pelo falecimento da mãe.
 Olhem só este friso de juventude se não é inspirador..da esq. p/ a dit. o João Costa, namorado da Inês Allen, filha do Xico Allen, a Carla Araujo amiga da Inês e a Raquel Espiritosanto, todos de partida para a Guiné no dia seguinte.
O António Pereira, companheiro da Raquel que a acompanhou à Tabanca embora não vá para a Guiné com ela.
Como se pode constatar, a Tabanca extravasa e em muito a agregação de ex-combatentes. São jás os nossos descendentes e os amigos do bem-fazer que nos visitam e connosco confraternizam às quartas-feiras.


Com toda esta frequência o Fundo da Clnica de Bor cresceu mais € 90,00 ficando agora com € 710,44 e cinco novos sócios entram para a Associação que tem agora 131 associados. Aqui estão as respectivas contas do nosso Fundo de Ajuda à Clínica de Bor.


Da autoria do Manuel Carmelita como habitualmente, aqui vai a reportagem fotográfica do evento:


E ainda a festa de aniversário antecipado do Fernandino Leite a quem foi cantado os parabéns a você...e a cuja saúde se bebeu do vinho fino do Zé que nestes últimos tempos, tem levado um desgaste notável com tanto aniversário.


O Fundo para o projecto da Água Potável e sementes para a Guiné cresceu mais um bocadinho. Aqui vai o balancete da respectiva conta:
Mais uma vez apelamos ao sentido de responsabilidade de todos para que nos ajudem dentro das possibilidades consentidas pela carteira de cada um a levarmos a bom termo este projecto.

Para terminar aqui vai a aposta do euromilhões para esta semana. Como o sorteio foi ontem podemos facilmente antever que desta vez temos qualquer coisita..pelas minhas contas, pouco mais de € 30,00. que penso que todos concordarão que deverá ser atribuído aos nossos projectos humanitários.

Um bom fim-de-semana para todos e na quarta lá estaremos.

P355-A última Tabanca dos Melros

No passado dia 13 de Fevereiro realizou-se mais um encontro mensal de ex-comatentes do ultramar (ECUs) do Concelho de Gondomar.
Da autoria do David Guimaráes aqui fica um registo do acontecimento que conforme lá referido teve "manga de ronco"