segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

P346-As Crónicas do Zé Rodrigues

Mais uma fantástica crónica sobre episódios de vida de um combatente na Guiné que tanto nos dizem, escrito naquela linguagem simples mas expressiva do Zé Rodrigues. Apreciem como eu apreciei.



“Istórias” da História da Guerra Colonial – Guiné-Bissau

“CONVERSAS À MESA COM CAMARADAS AUSENTES”

5 – Os meses seguintes até às Férias na Metrópole
Era a época das chuvas e, estavam já inscritas nas nossas rotinas a presença diária das lavadeiras, dos “putos” dos abrigos, e as idas à Ponte dos Fulas. As saídas às tabancas e patrulhamentos, passaram a ser mais espaçadas. Devido ao isolamento provocado pelas chuvas, não eram possíveis as colunas de reabastecimento o que transformou, durante meses, o Rancho Geral numa rotina que alternava entre “vianda” com atum ou com salsichas porque, os pára-quedas que traziam os frescos eram um verdadeiro milagre. Logo pela manhã, os putos da nossa estimação encarregavam-se de que o pequeno-almoço não faltasse no momento certo. As lavadeiras tratavam as roupas com esmero e desdobravam-se na conquista da nossa simpatia. Era a luta pela sobrevivência, vista do outro lado.
Já tudo funcionava, parecia um paraíso. As primeiras grandes “pielas” não se fizeram esperar. Nuns quantos abrigos cantarolava-se ao som de uma viola e as patuscadas ditavam o fim de uns quantos frangos e cabritos. Rolavam as “bazucas” da Cristal. Lembras-te camarada? Tinhas um talento soberbo para as petiscadas. Fazias uns pitéus de hipopótamo, de vaca ou de frango que eram de chorar por mais. Bons momentos, que nos faziam esquecer as agruras da guerra. Os jogos de futebol, algumas paixonetas pelas bajudas e as idas domingueiras a banhos em Cusselinta, compunham o resto do ramalhete.  
Devido à intensidade das chuvas, o caudal do Rio Corubal subiu acentuadamente. Uma noite, as sentinelas do posto da cozinha assustadas, deram o alarme. Teriam ouvido um zumbido muito intenso e que lhes parecia ser um helicóptero. Todo o pessoal ficou em prontidão, mas a presença da aeronave não se confirmou. Todos se interrogavam da origem do estranho barulho. A resposta veio pela manhã pela boca da população. O “zumbido” teria origem na força da deslocação do vento, provocado pela grande altura da vaga do Macaréu no Corubal. A pouca distância do quartel para o rio fez o resto.
Não resisto camaradas, a partilhar convosco uma “istória” singular de que fui um dos intervenientes. E quero garantir-vos que, só eu e o principal actor a conhecemos e do seu nome sempre farei reserva. Um dia, um dos oficiais da companhia em privado no Posto de Socorros, foi-me dizendo que, como já tínhamos uns meses de comissão sentia necessidade de ter relações sexuais, de preferência longe do Xitole e, não se via, devido ao seu posto a ir à tabanca solicitar os favores sexuais de uma mulher. Mas porquê a mim este pedido, interrogava-me eu? E logo a mim, que também estive uns meses a “seco” com medo das doenças sexualmente transmissíveis, ou não fosse eu Enfermeiro e, não soubesse das misérias de uns quantos! E acabei por entender a escolha do oficial. Devido à minha função, respeitado pela população, entendeu ele que a mim elas não recusariam um pedido. Não era tão fácil assim mas, vestido dos meus brios e dos dotes que os outros me atribuíam, não dei o flanco e respondi: Vamos tentar. Engendrei uma estratégia, que nem para mim tinha utilizado. Quando o senhor se deslocar às tabancas mais afastadas, eu também irei prestar assistência sanitária às populações e veremos então o que se pode arranjar. E lá fomos um dia. Chegados a Tangali, debaixo de um grande mangueiro no centro da tabanca, pedi que se reunissem as pessoas que necessitassem de assistência. Entre o grupo que entretanto se juntou, estava uma linda mulher, alta, de tês clara, talvez Futa-Fula com uma criança ao colo, aí pelos dois anos. Adivinhava-se-lhe uns lindos seios e um corpo escultural. Vai ser esta, pensei eu. Propositadamente deixei-a ficar para o fim. O “consultório” era no interior de uma das habitações próximas do mangueiro e o oficial assistia ao desenrolar das “consultas”. Quando ela entrou, eu dei-lhe sinal de que o momento tinha chegado. Abordei a mulher e, ela pediu-me “mesinho” para a criança que estava com “panga na bariga”.  Antes de continuar, solicitei-lhe que “partisse catota” com o oficial, que era “manga” de bom pessoal e que eu depois trataria muito bem o seu menino. Com alguma relutância, que sinceramente vos digo, me pareceu algo artificial, acedeu ao meu pedido. Deixei-os a sós durante o tempo suficiente enquanto me demorava, simulando ir á viatura buscar medicamentos. Por pudor ou por respeito, eu e o oficial nunca mais voltamos a trocar qualquer palavra a propósito deste episódio. Umas horas depois eu questionava-me? Mas que desperdício, para mim “niente”. Bem mais à distância no tempo, não pude evitar um sentimento de repulsa por me ter prestado a esse papel. Era a guerra que tudo explicava, ou antes, que anestesiava o nosso carácter.
E o tempo ia correndo até que, um nefasto acontecimento veio empalidecer os nossos dias.
No percurso entre o Xitole e a Ponte dos Fulas existia um trilho, aí a um quilómetro do quartel, que se sabia usado pelo PAIGC e que era necessário armadilhar para se evitar que viessem colocar mais minas e atacassem o Xitole como já o haviam feito.
Uma secção, com dois furriéis especialistas em minas e armadilhas, foram encarregados dessa tarefa. Era um final de tarde e o tempo urgia antes que escurecesse. Os furriéis montavam a armadilha enquanto o resto da secção, afastada, fazia protecção. Inesperadamente, aconteceu o desastre. Um deles, completamente destroçado, teve morte imediata. O outro ficou gravemente ferido no rosto, no tórax e quase perdeu uma mão. Eram dois jovens, dois jovens com a vida e os sonhos interrompidos. Caía uma noite muito enevoada, o que não permitiu voos para a evacuação urgente do ferido muito grave.
Foi uma noite muito difícil, em que assistimos a noite inteira, minuto a minuto, ao sofrimento e á luta pela vida de um camarada e, tendo bem ao lado, o outro que havia falecido. Enquanto aceitava impotente, a impossibilidade da evacuação que insistentemente pedi, não consegui evitar as lágrimas pelo sofrimento humano a que assistia. Sempre atentos, mantivemos os procedimentos de estabilização do ferido até à evacuação, que aconteceu logo que a luz do dia o permitiu. O nosso camarada saiu das nossas mãos com vida e assim continuou depois de tratado em Bissau e evacuado para Lisboa. Termos consciência de que a nossa acção contribuiu para salvar uma vida, enche-nos de uma imensa alegria, quase como que um hino de louvor à Vida.
Estava-mos novamente na época seca.
Os tempos seguintes foram de flagelações á Ponte dos Fulas e ao Xitole, levantamentos e rebentamentos de minas, patrulhamentos e Operações de grande envergadura. Destaco, pelas especiais circunstâncias as “ ARRUAÇA 1 e 2”.
A Operação “Arruaça 1” foi um autêntico fracasso militar.

Na progressão para SATECUTA, o PAIGC montou uma emboscada de que resultaram ferimentos nos dois guias africanos, sendo um deles com gravidade. Avisado dos feridos, desloquei-me à frente e deparei com os dois guias prostrados no chão. Logo me apercebi de que um deles não inspirava cuidados de maior, mas o outro estava esventrado e com os intestinos pousados no chão, misturados com terra e capim. O velho guia estava estável e lúcido. No seu aportuguesado crioulo, balbuciava que ia morrer e eu tentava transmitir-lhe serenidade e a convicção de que se salvaria, embora eu próprio não estivesse convencido disso. Em pleno mato, sob fogo do inimigo, as condições de tratamento dum caso destes, são muito difíceis. O ferido apresentava sinais de que uma bala ou um estilhaço lhe teria “rasgado” a parede abdominal. O objecto causador só parou no velho cantil esmaltado que o ferido trazia à cintura. Felizmente nenhum órgão vital foi atingido, nem mesmo os intestinos. Foi necessário retirar destes, todos os vestígios de terra e capim e repô-los na cavidade abdominal. Já mais sereno, o guia pediu-me que ficasse com o amuleto que trazia ao pescoço e uma bolsa em pele e os entregasse á Família. Confiava, como se de um testamenteiro se tratasse, que eu cumpriria o seu pedido, o que lhe garanti. Tocou-me bem fundo este gesto, que revela o quanto a natureza humana é tão frágil em momentos limite. E o nosso velho Guia foi evacuado a partir do mato e, apesar de longo internamento em Bissau, sobreviveu.
Mas, sem guias, a Companhia não tinha possibilidades de prosseguir. Bem lá do alto do avião ligeiro DO, o Comando insistia que, guiados por ele, podíamos continuar. Não foi esse o entendimento do Comandante da Companhia que, avaliando as circunstâncias, ordenou a retirada para o Xitole apesar das dificuldades de orientação que viriam a provocar a fragmentação da Companhia. O comandante da Operação ordenaria a repetição da mesma “ARRUAÇA 2”, três dias depois. Esta Operação correu bem e cumpriu o objectivo de destruir SATECUTA. Sem perceber como, aquando da entrada no objectivo, eu ia integrado no poletão de assalto. Após os primeiros minutos e não havendo sinal do inimigo, começamos a incendiar o colmo dos telhados das casas. Quando as labaredas já iam altas, rebentou um fogachal medonho. Entretidos na tarefa de pegar fogo à tabanca, eu e mais dois camaradas mal tivemos tempo de nos abrigarmos atrás de uma grande palmeira que se encontrava perto de nós. Lembram-se camaradas? Um de vós lançava dilagramas, o outro disparava a sua G3 e eu, no meio de vós de cabeça bem rente ao solo. Quando, por momentos levantei a cabeça, assustei-me com a possibilidade de os dilagramas baterem nas grandes folhas da palmeira. O perigo cercava-nos. Foi o momento em que concentrei o pensamento e senti a necessidade de, por instantes, dedicar uma breve lembrança aos que me eram mais queridos. Até que um de vós percebe que um líquido quente lhe escorre para o pescoço e, ao passar a mão no rosto e vendo que está suja de sangue, quase entra em pânico. Foi preciso um forte abanão para te sossegar e, estando nós ainda debaixo de fogo, aconcheguei-te a mim para fazer o que fosse possível naquelas circunstâncias. Pude verificar que um estilhaço se espetou na parede do crânio na zona da orelha e que, mesmo sangrando muito, não estavas em perigo. Temendo provocar uma situação que poderia não controlar, optei por não mexer no estilhaço e controlar a perda de sangue. Foste o único ferido, continuas-te connosco até ao fim e só foste evacuado a partir do Xitole. A vinda do providencial helicanhão pôs fim àquele inferno. A pressão sobre a Companhia era enorme. Cerca de um mês depois realizou-se a operação “CORRIDA ENTUSIÀSTICA” para o mesmo objectivo mas por diferentes percursos. Digno de realce, foi o momento em que um helicóptero desce numa bolanha e, de surpresa, temos perante os nossos olhos o Comandante-Chefe General Spínola. Foi gratificante e moralizador sentir a sua presença e companhia durante uma  parte do percurso a caminho do objectivo.
Por esta altura, o Serviço de Saúde funcionava só com dois cabos enfermeiros. O outro camarada por castigo, foi deslocado para Nhabijões/ Bambadinca e para os que ficaram, sobrou uma carga excessiva de trabalho.
Lembram-se camaradas que parti para a Guiné de relações cortadas com o meu Pai.
Essa situação vinha-me castigando interiormente o que, aliado ao imenso cansaço, fez-me alimentar a ideia ir á Metrópole de férias. Pretendia tentar reatar as relações com o meu Progenitor e, na companhia da família e da namorada comemorar o meu aniversário. Um tio materno, intercedeu junto do meu Pai e conseguiu que ele aceitasse receber-me em casa. Para minha felicidade, o meu pai esperava-me no Aeroporto de Pedras Rubras. Trocamos aquele apertado abraço que me toldou a emoção até às lágrimas. O Amor falou tão alto, quanto um grito do fundo da Alma.        

Continua-------------

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

P344-A tabanca de 10-02-2010


Mais uma "enchente", desta vez "abrilhantada" com uns magníficos rojões à moda do Minho que a sardinha anda fugida.
Fomos 46 (para não variar) e muita gente nova a solidarizar-se com as nossas nobres causas (9 novos sócios) .
Eis a lista para que, se sair o Jack Pot possamos distribuir equitativamente.
e para esta semana a aposta cá vai que a esperança é a última a morrer.....


Esteve uma sala bem animada, ainda por cima havia aniversário a festejar... o do Zé Teixeira, pois claro, que fez 64 anos no sábado passado e não escapou à regra do bolo de aniversário.

Esta quarta feira foi realmente especial. Senão vejam: a 15ª de Comandos teve uma representação extraordinária com inúmeros dos seus representantes presentes no almoço; O Coronel Coutinho e Lima fez-nos uma visita e almoçou connosco, a Natália Oliveira, presidente da Associação Viver 100 Fronteiras veio também almoçar connosco e para avalizar o nosso trabalho tornou-se igualmente sócia da nossa Associação e finalmente o Padre Almiro Mendes veio conhecer-nos pessoalmente e tornou-se igualmente sócio da Tabanca Pequena. o Pároco de Ramalde é um homem fortemente comprometido com a Guiné e com as suas gentes e as suas acções têm sido fortemente mediatizadas de tal forma a sua dimensão é importante.
O Abano Silva e o Manuel Oliveira com ar bem revelador da alegria reinante

O António Vilares Pereira e o Manuel Graça felizes neste reencontro de saudade

O carlos Roxo e o José Guimarães ex-comandos em Bissau, nossos novos associados

O Carlos Roxo a assinar o quadro de honra

O Zé Guimarães a deixar a sua assinatura também no quadro de honra

O Casimiro Carvalho, um dos nossos mais activos angariadores de associados e um dos mais bem dispostos também acompanhado do Fernandino Leite e do Arlindo Costa


A Natália Oliveira, o Álvaro Basto o Zé Teixeira e o Padre Almiro Mendes um grupo emblemático no Humanitarismo para a Guiné Bissau

Como se pode ver pelas contas do Fundo de ajuda à Clínica Pediátrica de Bor já adquirimos medicamentos para enviarmos para a Guiné. e são 250 caixas de antibióticos de 1ª e 2ª geração que de certo irão ajudar a debelar muitas infecções especialmente do foro respiratório.
Estamos em negociações com  um Camarada nosso que possui negócios em Bissau e que está prestes a despachar dois contentores para Bissau para incluirmos a caixa dos medicamentos nos referidos contentores.
Quanto à campanha da Água e Sementes está um bocado em "banho-maria". Vai devagar, devagarinho mas já estão a ser estudadas novas formas de a "espevitarmos" com novas iniciativas de sensibilização e diversas formas alternativas de se arranjar mais dinheiro. Tenhamos fé que sem ela nada se fará.



Vamos ter uma Assembleia Geral Extraordinária em breve para aprovarmos o Plano de Actividades para o ano de 2010 e o respectivo Orçamento
Durante a próxima semana, estejam, atentos pois a convocatória e respectivos documentos para apreciação irão ser aqui publicados na íntegra.

Façam o favor de terem todos um excelente fim-de-semana e atenção aos exageros do Carnaval...não se esqueçam que já são todos uns "sex-agenários" e por isso nada de entusiasmos com as  beldades dos desfiles!!!!

P343-IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos


As Inscrições estão abertas.. não se esqueçam de reservar este dia para nos juntarmos todos. A Tabanca de Matosinhos vai estar em peso a marcar presença.....Façam as vossas inscrições quanto antes.

_____________________________________________________________________________________________


Aproxima-se o dia 6 de Março de 2010, data do IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até 27 de Fevereiro para:

- António Maria, telem 938 492 478
- Carlos Vinhal, telem 916 032 220
- José Oliveira, telem 917 898 944
e
- Ribeiro Agostinho, telem 969 023 731

Informa-se que este ano nos podemos fazer acompanhar das nossas queridas companheiras, só delas por favor, por questão de logística.

Embora o Encontro seja destinado aos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos, temos muito prazer em receber qualquer camarada ex-combatente da Guiné, venha ele de onde vier e que connosco queira confraternizar.

Deixamos um convite especial à Tabanca de Matosinhos, um bom exemplo a seguir, porque congrega camaradas dos mais diversos pontos do país.

Estendemos também o nosso convite às novas Tabancas existentes pelo Grande Porto, à Tabanca do Centro e por que não à Tabanca da Lapónia.

É de toda a conveniência que se inscrevam com a maior brevidade possível para se procurar restaurante apropriado ao número de participantes.

Oportunamente será indicado o local de concentração, restaurante escolhido para o almoço e respectivo preço.



Monumental escultura existente nos limites de Matosinhos, fronteira com a cidade do Porto

Em 2009 foi assim. Este ano seremos mais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

P342-A homenagem do Manuel Maia a Matosinhos

Texto enviado pelo nosso querido camarada Manuel Maia em homenagem às gentes de Matosinhos e em especial à Tabanca Pequena



Matosinhos, desde recuados tempos, tem sabido ser solidária.

A mão estendida à grande poetisa de Vila Viçosa, adoptando-a como filha da terra...



O surgimento de vultos como esse insigne estadista e homem de letras, JOSÉ DOMINGOS DOS SANTOS,  o exemplo flagrante de quem manifestava profundas preocupações com o semelhante manifestado pelos manos  PASSOS,  de  GUIFÕES, de que Manuel foi o expoente, e mais recentemente figuras como ALBINO AROSO,médico dedicado à profissão e a atingir elevadíssimos patamares a que se guindaram também FERNANDO NOGUEIRA,e no passado mais recente PINTO RIBEIRO com um interessante trabalho na pasta da CULTURA,são o garante de que MATOSINHOS sempre continuará a ser berço de cidadãos envolvidos, de alma e coração, em causas nobres.
Este  valioso contributo que ora dais à causa solidária,este estender a mão a GUINÉUS  carentes de tudo,é a prova de que esta terra continua na senda dos bons exemplos de antanho.
BEM- HAJAM




De Matosinhos foi filha adoptiva
poetisa alentejana "fugitiva"
das letras sonetista consagrada...
Florbela Espanca aqui sarou a ferida,
estigma de mulher incompreendida
que amava e não sentia ser amada...


A bela Matosinhos,sol e mar,
da vela e dos peixinhos p`ra grelhar,
d`ilustres gentes foi berço natal.
José Domingos Santos,estadista,
com guifonenses Passos,forma lista
de vultos cá do nosso Portugal...


Solidariedade é ponto assente
p`ra quem às quartas feiras diz presente,
na "virtual tabanca",Milho-Rei.
Legalizada foi O.N.G.
n`ajuda p ra Guiné,logo se vê,
com cobertura dada pela lei.


Com Lopes,Pimentel,Teixeira,Basto,
e outros,cujo nome,ora não gasto,
certeza de sucesso é já garante.
Campanha das sementes está de pé,
e roda d`alimentos na Guiné,
melhora concerteza, doravante...


Fernando e Ana deste grupo são,
Carvalho,Zé Manuel,Victor,lá estão,
solidariedade não tem sexo.
Moutinho,Nelson,Jaime,e Carmelita,
Cancela,`inda Barroso, em comandita,
de parabéns, vos mando forte amplexo.

Pedras Rubras, Dezembro 2009

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

P340-A tabanca de 03-02-2010

Mais uma semana, mais uma quarta-feira e mais uma enchente no Milho-Rei aqui retratada pela lente do Carmelita, sempre incansável nestas coisas de reter para a posteridade os momentos importantes da nossa vida.
Fomos 43 a debatermo-nos com a caldeirada de peixe, o bacalhau e as tripas que ainda não há sardinhas para assar. Fica aqui a lista dos presentes não vá o diabo ser tendeiro e esta semana o euro-milhões "pintar". Depois como havíamos nós de distribuir os milhões do jack-pot?




Apareceram mais caras novas que como quase sempre, acabam por vir pela mão de outros camaradas, ver para crer.
Foram os casos do Alberto Godinho Soares que em 1966 deambulava pelos lados de Fulacunda e o Carlos Castro Teixeira que no tempo do Luis Graça esteve em Bambadinca como condutor auto.
Ei-los aqui  felizes por ao fim de tanto tempo encontrarem tanta gente que afinal falava a mesma linguagem
 
o Alberto Soares
o Carlos Teixeira
Vieram, viram acreditaram e desde logo se associaram à nossa causa humanitária tornando-se sócios da nossa Associação que com estas novas entradas já conta com 115 associados, o que é notável para quem tem apenas três meses de vida.
A nossa ajuda à Clínica Pediátrica de Bor
Esta semana o Fundo de ajuda cresceu um bocadinho mais graças à generosidade e ao elevado numero de presenças no almoço. Aqui vão as contas:
Hoje mesmo vamos buscar cerca de 1 800,00 € de antibióticos e material hospitalar para mandarmos para a Clínica. Fica-nos agora o trabalho de arranjarmos forma de fazer chegar isto à farmácia da Clínica de Bor de forma rápida, económica e segura. Se tiverem sugestões sobre o tema não hesitem em passa-las para os comentários ou directamente para o nosso endereço electrónico.

A campanha da água potável e sementes
Continua a crescer lentamente o saldo graças à boa vontade de tantos e tantos camaradas que tem vindo a contribuir. Já ultrapassamos os 2 000,00 €  mas como sabem, muito mais irá ser preciso. Temos esperança que aos poucos o numero mágico dos 5 000,00 € para o primeiro poço será atingido. Estamos a tentar encontrar fontes de financiamento alternativo e dentro em breve traremos mais novidades frescas sobre a mat´ria. Para já, aqui fica a lista dos doadores devidamente actualizada.

(clique na listagem para ver melhor)

Esta semana tivemos a partida do Xico Allen para Bissau. Este nosso companheiro fundador da Tabanca, vai ser o nosso representante legal na Guiné e levou com ele uma procuração devidamente autenticada pelos Serviços Consulares da Guiné Bissau em Lisboa  para nos representar como nosso coordenador local dos projectos humanitários.
Com ele seguiu igualmente um protocolo devidamente autenticado, que a Associação outorgou com a AD-Ação e Desenvolvimento do Pepito e que será a nossa representante técnica no projecto dos poços de água e das sementes na Guiné.
Quando todo este processo estiver concluído iremos dar conhecimento público dos termos do referido protocolo a todos os sócios, para que todos compreendam e avaliem o trabalho sério e descomprometido que estamos a realizar em conjunto.
Façam o favor de terem um excelente fim de semana e.. é verdade.. não se esqueçam que o nosso Zé Teixeira "furmeiro" faz anos amanhã...64... pelas minhas contas...
Álvaro Basto

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

P339-A nossa biblioteca vai crescendo

Graças à generosidade do nosso camarada Eduardo Campos e ao seu elevado sentido de partilha, a nossa biblioteca foi enriquecida com mais os seguintes títulos que se encontram à disposição de quem os quiser requisitar. De notar que o exemplar de "Elites Militares e a Guerra de África" está autografado e dedicado ao Eduardo Campos, pelo autor.




Aqui vai a lista actualizada do nosso actual espólio literário.

Clique na lista para aumentar

P338-As crónicas do David Guimarães

Ora ainda bem que continua a haver gente a escrever para o Blogue, prova provada que ele está vivo de boa saúde. Aqui vai mais uma crónica, desta vez do David Guimarães, que com o seu estilo peculiar e cativante nos deixa um comentário mordaz e bem interessante às crónicas do Zé Rodrigues sobre o Xitole. aquela terra onde eu também morei e vivi mais de dois anos.


HOJE MAIS UMA VEZ – DECERTO PELA SAUDADE (PENA) DE NÃO TER PODIDO IR NA Tabanca – li com mais atenção o que se escreve por lá…
Façam o favor de desculpar mas estive a ler muito mais as memórias do camarada Rodrigues que foi meu companheiro de guerra da mesma COMPANHIA. Não ando a conferir nada, mas muito mais a recordar algo que me tenha esquecido e eventualmente poder-lhe ajudar quando me lembro de coisas que se passaram à nossa beira… CART 2716 do BART 2917.
Este assunto já foi muito tratado na Tabanca Grande onde fiz lá vários escritos e pena tive de não ter um Rodrigues de meu lado para que isso tudo fosse confirmado e testemunhado.
Aqui está a ser contado de uma maneira exímia e num esmiuçar de matéria que efectivamente é o meu estilo, que não usei muito na Tabanca Grande e de forma descritiva sem grandes romances como eu gosto também.
DA ADAPTAÇÃO AO XITOLE ATÉ AO BAPTISMO DE FOGO
Ora bem, foi aqui que hoje mais me tocou os escritos do Rodrigues – o Soldado que a equipa dele atendeu – fulminado como ele bem o diz - passou-se no posto de sentinela do Morteiro 81 junto à casa da secção dos morteiros fixos… Era o soldado ALMEIDA, do 3º grupo de combate que estava de serviço (Pelotão a que eu pertencia). O Leones passou na minha beira e disse: - Guimarães está ali um soldado dos teus que se sentiu mal… A verdade que o Rodrigues diz agora aí a nós naturalmente só mais tarde não muito viemos a saber – era o inicio da noite …
E agora…
Este quartel que aí está documentado e bem – lindo, já estava melhorado, especialmente o abrigo onde a maioria dos furriéis dormiam que agora estava reforçado… noutra direi porquê! O Rodrigues avançará com as suas memórias que confirmo e aplaudo a memória e “elefante” que ele tem… afinal não está esquecido tanto como me dizia… É verdade, no outro blogue referia – esse Soldado que vou a gazelinha… pois é mais tarde recebeu o prémio Governador Geral – e ainda bem, ele com 700 Escudos decerto não viria à Metrópole e assim veio…
Um abraço Rodrigues e Continua – procura os artigos que tenho no blogue grande e corrige o que entenderes – vamos contar o que um só é difícil e a dois já começa a ser mais possível – eu aqui leio-te com muito gosto….
NB) a pista de helicóptero que existe foi por nós construída com 900 m2 no local onde hoje ainda há vestígios – antes eles posavam na pista bem junto à casa dos oficiais
E venha mais para eu ler, para todos lermos…. TÁS MUITO BEM

Abraço, David Guimarães