sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

P343-IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos


As Inscrições estão abertas.. não se esqueçam de reservar este dia para nos juntarmos todos. A Tabanca de Matosinhos vai estar em peso a marcar presença.....Façam as vossas inscrições quanto antes.

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Aproxima-se o dia 6 de Março de 2010, data do IV Encontro dos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até 27 de Fevereiro para:

- António Maria, telem 938 492 478
- Carlos Vinhal, telem 916 032 220
- José Oliveira, telem 917 898 944
e
- Ribeiro Agostinho, telem 969 023 731

Informa-se que este ano nos podemos fazer acompanhar das nossas queridas companheiras, só delas por favor, por questão de logística.

Embora o Encontro seja destinado aos ex-combatentes da Guiné do Concelho de Matosinhos, temos muito prazer em receber qualquer camarada ex-combatente da Guiné, venha ele de onde vier e que connosco queira confraternizar.

Deixamos um convite especial à Tabanca de Matosinhos, um bom exemplo a seguir, porque congrega camaradas dos mais diversos pontos do país.

Estendemos também o nosso convite às novas Tabancas existentes pelo Grande Porto, à Tabanca do Centro e por que não à Tabanca da Lapónia.

É de toda a conveniência que se inscrevam com a maior brevidade possível para se procurar restaurante apropriado ao número de participantes.

Oportunamente será indicado o local de concentração, restaurante escolhido para o almoço e respectivo preço.



Monumental escultura existente nos limites de Matosinhos, fronteira com a cidade do Porto

Em 2009 foi assim. Este ano seremos mais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

P342-A homenagem do Manuel Maia a Matosinhos

Texto enviado pelo nosso querido camarada Manuel Maia em homenagem às gentes de Matosinhos e em especial à Tabanca Pequena



Matosinhos, desde recuados tempos, tem sabido ser solidária.

A mão estendida à grande poetisa de Vila Viçosa, adoptando-a como filha da terra...



O surgimento de vultos como esse insigne estadista e homem de letras, JOSÉ DOMINGOS DOS SANTOS,  o exemplo flagrante de quem manifestava profundas preocupações com o semelhante manifestado pelos manos  PASSOS,  de  GUIFÕES, de que Manuel foi o expoente, e mais recentemente figuras como ALBINO AROSO,médico dedicado à profissão e a atingir elevadíssimos patamares a que se guindaram também FERNANDO NOGUEIRA,e no passado mais recente PINTO RIBEIRO com um interessante trabalho na pasta da CULTURA,são o garante de que MATOSINHOS sempre continuará a ser berço de cidadãos envolvidos, de alma e coração, em causas nobres.
Este  valioso contributo que ora dais à causa solidária,este estender a mão a GUINÉUS  carentes de tudo,é a prova de que esta terra continua na senda dos bons exemplos de antanho.
BEM- HAJAM




De Matosinhos foi filha adoptiva
poetisa alentejana "fugitiva"
das letras sonetista consagrada...
Florbela Espanca aqui sarou a ferida,
estigma de mulher incompreendida
que amava e não sentia ser amada...


A bela Matosinhos,sol e mar,
da vela e dos peixinhos p`ra grelhar,
d`ilustres gentes foi berço natal.
José Domingos Santos,estadista,
com guifonenses Passos,forma lista
de vultos cá do nosso Portugal...


Solidariedade é ponto assente
p`ra quem às quartas feiras diz presente,
na "virtual tabanca",Milho-Rei.
Legalizada foi O.N.G.
n`ajuda p ra Guiné,logo se vê,
com cobertura dada pela lei.


Com Lopes,Pimentel,Teixeira,Basto,
e outros,cujo nome,ora não gasto,
certeza de sucesso é já garante.
Campanha das sementes está de pé,
e roda d`alimentos na Guiné,
melhora concerteza, doravante...


Fernando e Ana deste grupo são,
Carvalho,Zé Manuel,Victor,lá estão,
solidariedade não tem sexo.
Moutinho,Nelson,Jaime,e Carmelita,
Cancela,`inda Barroso, em comandita,
de parabéns, vos mando forte amplexo.

Pedras Rubras, Dezembro 2009

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

P340-A tabanca de 03-02-2010

Mais uma semana, mais uma quarta-feira e mais uma enchente no Milho-Rei aqui retratada pela lente do Carmelita, sempre incansável nestas coisas de reter para a posteridade os momentos importantes da nossa vida.
Fomos 43 a debatermo-nos com a caldeirada de peixe, o bacalhau e as tripas que ainda não há sardinhas para assar. Fica aqui a lista dos presentes não vá o diabo ser tendeiro e esta semana o euro-milhões "pintar". Depois como havíamos nós de distribuir os milhões do jack-pot?




Apareceram mais caras novas que como quase sempre, acabam por vir pela mão de outros camaradas, ver para crer.
Foram os casos do Alberto Godinho Soares que em 1966 deambulava pelos lados de Fulacunda e o Carlos Castro Teixeira que no tempo do Luis Graça esteve em Bambadinca como condutor auto.
Ei-los aqui  felizes por ao fim de tanto tempo encontrarem tanta gente que afinal falava a mesma linguagem
 
o Alberto Soares
o Carlos Teixeira
Vieram, viram acreditaram e desde logo se associaram à nossa causa humanitária tornando-se sócios da nossa Associação que com estas novas entradas já conta com 115 associados, o que é notável para quem tem apenas três meses de vida.
A nossa ajuda à Clínica Pediátrica de Bor
Esta semana o Fundo de ajuda cresceu um bocadinho mais graças à generosidade e ao elevado numero de presenças no almoço. Aqui vão as contas:
Hoje mesmo vamos buscar cerca de 1 800,00 € de antibióticos e material hospitalar para mandarmos para a Clínica. Fica-nos agora o trabalho de arranjarmos forma de fazer chegar isto à farmácia da Clínica de Bor de forma rápida, económica e segura. Se tiverem sugestões sobre o tema não hesitem em passa-las para os comentários ou directamente para o nosso endereço electrónico.

A campanha da água potável e sementes
Continua a crescer lentamente o saldo graças à boa vontade de tantos e tantos camaradas que tem vindo a contribuir. Já ultrapassamos os 2 000,00 €  mas como sabem, muito mais irá ser preciso. Temos esperança que aos poucos o numero mágico dos 5 000,00 € para o primeiro poço será atingido. Estamos a tentar encontrar fontes de financiamento alternativo e dentro em breve traremos mais novidades frescas sobre a mat´ria. Para já, aqui fica a lista dos doadores devidamente actualizada.

(clique na listagem para ver melhor)

Esta semana tivemos a partida do Xico Allen para Bissau. Este nosso companheiro fundador da Tabanca, vai ser o nosso representante legal na Guiné e levou com ele uma procuração devidamente autenticada pelos Serviços Consulares da Guiné Bissau em Lisboa  para nos representar como nosso coordenador local dos projectos humanitários.
Com ele seguiu igualmente um protocolo devidamente autenticado, que a Associação outorgou com a AD-Ação e Desenvolvimento do Pepito e que será a nossa representante técnica no projecto dos poços de água e das sementes na Guiné.
Quando todo este processo estiver concluído iremos dar conhecimento público dos termos do referido protocolo a todos os sócios, para que todos compreendam e avaliem o trabalho sério e descomprometido que estamos a realizar em conjunto.
Façam o favor de terem um excelente fim de semana e.. é verdade.. não se esqueçam que o nosso Zé Teixeira "furmeiro" faz anos amanhã...64... pelas minhas contas...
Álvaro Basto

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

P339-A nossa biblioteca vai crescendo

Graças à generosidade do nosso camarada Eduardo Campos e ao seu elevado sentido de partilha, a nossa biblioteca foi enriquecida com mais os seguintes títulos que se encontram à disposição de quem os quiser requisitar. De notar que o exemplar de "Elites Militares e a Guerra de África" está autografado e dedicado ao Eduardo Campos, pelo autor.




Aqui vai a lista actualizada do nosso actual espólio literário.

Clique na lista para aumentar

P338-As crónicas do David Guimarães

Ora ainda bem que continua a haver gente a escrever para o Blogue, prova provada que ele está vivo de boa saúde. Aqui vai mais uma crónica, desta vez do David Guimarães, que com o seu estilo peculiar e cativante nos deixa um comentário mordaz e bem interessante às crónicas do Zé Rodrigues sobre o Xitole. aquela terra onde eu também morei e vivi mais de dois anos.


HOJE MAIS UMA VEZ – DECERTO PELA SAUDADE (PENA) DE NÃO TER PODIDO IR NA Tabanca – li com mais atenção o que se escreve por lá…
Façam o favor de desculpar mas estive a ler muito mais as memórias do camarada Rodrigues que foi meu companheiro de guerra da mesma COMPANHIA. Não ando a conferir nada, mas muito mais a recordar algo que me tenha esquecido e eventualmente poder-lhe ajudar quando me lembro de coisas que se passaram à nossa beira… CART 2716 do BART 2917.
Este assunto já foi muito tratado na Tabanca Grande onde fiz lá vários escritos e pena tive de não ter um Rodrigues de meu lado para que isso tudo fosse confirmado e testemunhado.
Aqui está a ser contado de uma maneira exímia e num esmiuçar de matéria que efectivamente é o meu estilo, que não usei muito na Tabanca Grande e de forma descritiva sem grandes romances como eu gosto também.
DA ADAPTAÇÃO AO XITOLE ATÉ AO BAPTISMO DE FOGO
Ora bem, foi aqui que hoje mais me tocou os escritos do Rodrigues – o Soldado que a equipa dele atendeu – fulminado como ele bem o diz - passou-se no posto de sentinela do Morteiro 81 junto à casa da secção dos morteiros fixos… Era o soldado ALMEIDA, do 3º grupo de combate que estava de serviço (Pelotão a que eu pertencia). O Leones passou na minha beira e disse: - Guimarães está ali um soldado dos teus que se sentiu mal… A verdade que o Rodrigues diz agora aí a nós naturalmente só mais tarde não muito viemos a saber – era o inicio da noite …
E agora…
Este quartel que aí está documentado e bem – lindo, já estava melhorado, especialmente o abrigo onde a maioria dos furriéis dormiam que agora estava reforçado… noutra direi porquê! O Rodrigues avançará com as suas memórias que confirmo e aplaudo a memória e “elefante” que ele tem… afinal não está esquecido tanto como me dizia… É verdade, no outro blogue referia – esse Soldado que vou a gazelinha… pois é mais tarde recebeu o prémio Governador Geral – e ainda bem, ele com 700 Escudos decerto não viria à Metrópole e assim veio…
Um abraço Rodrigues e Continua – procura os artigos que tenho no blogue grande e corrige o que entenderes – vamos contar o que um só é difícil e a dois já começa a ser mais possível – eu aqui leio-te com muito gosto….
NB) a pista de helicóptero que existe foi por nós construída com 900 m2 no local onde hoje ainda há vestígios – antes eles posavam na pista bem junto à casa dos oficiais
E venha mais para eu ler, para todos lermos…. TÁS MUITO BEM

Abraço, David Guimarães

sábado, 30 de janeiro de 2010

P336 - A nossa Biblioteca vais crescendo

A nossa biblioteca vai crescendo quase sem se dar por isso.
Já são 36 os títulos à disposição dos Associados da Tabanca Pequena.
Esta semana, mais dois títulos foram acrescentados, um original do Zé Brás, Vindimas no Capim que vai já na sua 2ª edição e mais um exemplar do Diario da Guiné-sangue suor e água pura do António Graça Abreu, que quiseram deixar uma dedicatória nos respectivos exemplares que ofereceram à Tabanca.
Bem Hajam ambos.





P335-As crónicas do Zé Rodrigues

Recebemos mais uma crónica do Zé Rodrigues da série CONVERSAS Á MESA COM CAMARADAS AUSENTES para publicação.
Pela forma como estão escritas, estas crónicas têm constituído um êxito entre os camaradas e são muitas as referências positivas que nos têm chegado.
Continua Zé Rodrigues.
Aqui vai:


“Istórias” da História da Guerra Colonial – Guiné-Bissau

“CONVERSAS À MESA COM CAMARADAS AUSENTES”
  
4 – DA ADAPTAÇÃO AO XITOLE ATÉ AO BAPTISMO DE FOGO
Ainda mal refeitos das primeiras impressões, fomos literalmente “abafados” pelos velhinhos que íamos render, na ânsia de encontrarem entre nós alguém conhecido. Uns e outros, por diferentes razões, tínhamos rajadas de perguntas prontas a disparar.
Como é isto aqui? Quantas baixas tiveram? Quantas vezes foram atacados ….. e tantas e tantas perguntas para conseguir-mos obter alguma acalmia na nossa inquietude.
E os velhinhos disparavam. Queres que te arranje uma “lavadeira”? Do onde vens tu? É pá és de Matosinhos? Eu sou de lá perto, sou da Maia e conheço bem a tua terra. Impelidos por emoções e sentimentos que as circunstâncias ditaram, formamos uma massa humana cuja convivência diária se repartia entre a carinhosa ajuda vinda dos velhinhos e o respeito e quase admiração com que os tratávamos. Singular era a forma como os velhinhos se referiam ao tempo que ainda lhes faltava cumprir para acabarem a comissão. Seriam uns quantos dias, horas e minutos e, como estavam felizes por estarem tão perto do fim dos cerca de dois anos de pesadelos.
Vasculhamos o aquartelamento para conhecermos os cantos da casa. Olha, ali é a cozinha, olha ali um abrigo e mais outro e outro, olha ali è o depósito de géneros e ali o paiol das munições. Olha ali a messe dos Sargentos, o Posto das transmissões e do outro lado a casa do Chefe de Posto. Olha a pista para aviões ligeiros, a placa para os helicópteros e o indispensável campo de futebol, Olha aqui é a messe dos oficiais e o quarto do Comandante da Companhia e olha ali ao centro a nossa Capelinha de costas para o bar dos Soldados, e mais para ali fica o Posto de Socorros e a Oficina Mecânica. Se a tudo isto, juntarmos as valas e os abrigos das armas pesadas, ficamos com um cenário digno de um qualquer Apocalypse Now.

A partilha do mesmo espaço físico por duas companhias implicou o desconforto na acomodação em tendas, alimentação a ração de combate e, por outro lado, saídas conjuntas às tabancas e aos patrulhamentos às zonas envolventes.
Quantos de nós sabiam o que era a Coca-Cola, a Fanta, a Seven-Up e quantos teriam tido acesso a Whisky, Gin, Vodka, etc. Era um mundo de coisas novas, quase irreais, e a guerra ainda não tinha chegado. Ainda na companhia dos velhinhos fomos iniciados no relacionamento com as populações locais, nomeadamente nas tabancas de Cambêssê, Sinchã Madiu, Tangali e Gunti, em que começamos a privar com os Homens e Mulheres Grandes dessas aldeias e em particular na aproximação ás “bajudas”.
Até que o dia da partida dos velhinhos chegou. Uma agitação febril, em que viaturas se misturavam com civis e militares. Com o aproximar da hora, choviam os abraços e os votos sentidos de boa sorte que novos e velhinhos mutuamente trocavam. Ficamos sós, entregues á nossa sorte e aos imponderáveis do nosso futuro próximo.
Os postes que suportavam e garantiam a iluminação dos contornos físicos do aquartelamento, limitavam a área da nossa “Casa”. Tínhamos agora uma percepção do nosso refúgio de segurança.
Marcante para um novato que vem duma cidade é a sensação de que, à noite, para além das luzes do quartel, só existe o domínio do escuro profundo da África, tão escuro como nenhum outro até aí sentido. Aos sons do “silêncio” da noite juntam-se amiúde, tão longe e tão perto, os estouros do despejar de armas pesadas.
É a noite sedenta de morte e o afugentar dos nossos fantasmas.
Estava-mos por estas alturas no início da época das chuvas. Eram, a imensa quantidade daqueles enormes morcegos, quase nuvens, que ao fim da tarde toldavam a luz do dia, eram os insectos que rodopiavam numa incessante dança em volta das lâmpadas da iluminação do quartel, eram os pequenos tornados que, levantando poeira e folhagens, anunciavam a proximidade das bátegas de chuva, eram as violentas e assustadoras trovoadas que “rachavam” o horizonte numa demonstração de beleza e poder da Natureza, eram os mangueiros e cajueiros carregados de fruta madura mas que ainda não haviam conquistado o nosso paladar, eram as terríveis formigas e abelhas de tão má memória, era enfim a lenta descoberta dos segredos que a África nos escondia.
Como foi chocante e dolorosa a noite em que tombou o nosso camarada no seu posto de sentinela. Enquanto a maioria do pessoal se divertia, assistindo a um filme projectado no grande depósito de géneros e protagonizado pela actriz espanhola Sarita Montiel, o Sargento de dia na sua ronda pelos postos, apercebeu-se de que algo de anormal se passaria com a sentinela junto da Casa do Chefe de Posto. Dado o alarme, a equipa de Enfermagem tentou, até à exaustão, todas as manobras de reanimação ao camarada prostrado no chão e que não dava sinais de vida. Foram infrutíferas todas as tentativas realizadas. Perdemos o nosso primeiro camarada, e não conseguimos evitar um sentimento de sofrida impotência por não lhe podermos valer. Era a primeira lição da vida para esta dura e amarga realidade que nos cerca, que é a brutalidade da morte. Havendo dúvidas sobre a causa da morte, foi destacado de Bissau um médico para se proceder á autópsia do cadáver do nosso camarada. Lembram-se camaradas? Foi no topo da pista, resguardados dos olhares pela colocação de viaturas e, seguindo as indicações do médico, executamos pela primeira vez na vida essa difícil e arrepiante tarefa. Após termos terminado o nosso trabalho, o médico concluiu que o nosso camarada caíra fulminado por um ataque cardíaco e, teve o cuidado de nos mostrar a lesão causadora da morte.
Este era o enredo do filme que estávamos a viver, porque o outro já não foi projectado até ao FIM.
Assim se ia adquirindo a carapaça que nos tornaria mais experientes e capazes de enfrentarmos as dificuldades que iríamos inevitavelmente encontrar.
E a vida continuava, cada um carregando o fardo onde continuavam a caber todos os sonhos e esperanças.
A malária atingia já um número significativo de camaradas e constituía uma grande preocupação para o pessoal do Serviço de Saúde e para o Comando da Companhia. Segundo informações que nos chegaram de Bissau, a percentagem de pessoal com baixa devido á malária era, naquela época, a mais elevada em toda a Guiné. O apoio na assistência sanitária às populações das tabancas mais afastadas era, para o pessoal de Enfermagem, uma oportunidade de conhecimento das realidades culturais e humanas daquelas gentes simples e acolhedoras, a quem nos ligamos irremediavelmente para toda a vida.
Continuaram os patrulhamentos no mato circundante para se garantir o domínio da zona. As idas ás proximidades de Seco Braima, zona  de confluência do rio Pulon com o rio Corubal, apesar de regulares, eram motivo de muita preocupação, porque não raras vezes se assistiam a movimentos de agricultores do PAIGC nas bolanhas para além das margens do Pulon. As repetidas sortidas a essa zona, sem registo de qualquer confronto, criaram uma falsa e perigosa sensação de segurança.
Até que o inevitável aconteceu.
No regresso de mais uma patrulha às proximidades de Seco Braima e, quando o primeiro grupo de combate, por se encontrar muito próximo do Xitole aligeirou os procedimentos de segurança, surgiu uma gazela que em fuga se cruzou com o pelotão. Um dos camaradas, dando-se ares de caçador, levanta a arma e faz um disparo. Foi uma atitude que, pelos insondáveis percursos do destino, salvaria alguns dos nossos. Os nossos camaradas, ao disparo, procuraram protecção nas árvores e nos baga-baga. Nas proximidades estava emboscado um grupo do PAIGC que interpretou o disparo como um sinal de que haviam sido detectados e, mesmo reagindo de imediato e intensamente, encontraram os nossos camaradas fora da zona de morte e protegidos. A resposta pronta ao fogo do inimigo e o apoio do pelotão dos morteiros do Xitole que bateu a zona, obrigaram o PAIGC a retirar, deixando no local rastos de sangue.
Foi o nosso BAPTISMO de fogo….. felizmente sem qualquer consequência para o nosso pessoal, para além das bocas secas provocadas pela elevada tensão do momento. E como num conto infantil “ A gazelinha salvou os meninos”.
O PAIGC veio testar a nossa capacidade de resposta e, se possível, marcar negativamente o inicio da nossa Comissão com as consequências que traria á moral da Companhia.
E assim, tivemos a primeira aula prática do curso “VAIS VÊR COMO ELAS TE MORDEM”
CONTINUA…………..      

Fotos de Álvaro Basto (vistas aéreas do aquartelamento do Xitole da casa do chefe de posto até à porta de armas)