terça-feira, 25 de agosto de 2009

P225 - Mensagem do José Rodrigues

Recebida no próprio dia do nosso almoço e expressando bem a sua alegria pela camaradagem e convivio que rencontrou no Milho-Rei aqui vos deixo este testemunho de mais um novo tertuliano assumido da Tabanca de Matosinhos

Caro Álvaro Basto

Na qualidade de “PIRA do Dia” no almoço de hoje no Milho Rei, sede dos Tabanqueiros em Matosinhos, venho manifestar a imensa satisfação por poder partilhar do vosso convívio, que a minha recente situação de reformado passa a permitir.
Já conhecia a existência da Tabanca e, tive o grato prazer de encontrar alguns camaradas que a vida colocou no meu percurso.
Foi gratificante reconhecer que não ficamos marcados pelas agruras dos tempos que vivemos na Guiné.
Amizade, Solidariedade e Partilha desinteressada com os Guineenses marcam as nossas atitudes mais nobres.
Estar entre iguais, com a mesma insaciável necessidade de ouvir e de falar da Guiné, continua a ser a nossa imagem de marca.
Um Grande Abraço a todos os Tabancas de Matosinhos, na expectativa de no próximo almoço passar a braçadeira de “PIRA”.

José Rodrigues

Bem hajas camarada Rodrigues e aparece sempre. Serás bem vindo.
Álvaro Basto

P224 - Aniversários de Tertulianos

No passado dia 20 o nosso querido amigo e companheiro Victor Silva, que nos acompanha com grande assiduidade desde Maio passado, fez 63 lindas primaveras.
Não esquecer....Vamos todos dar-lhe os parabéns ao vivo na próxima quarta-feira sem falta.





Já o nosso camarada e grande amigo Carmelita, sempre bem disposto fotógrafo de serviço e com uma assiduidade notável nas nossas quartas culturais no Milho-Rei faz 61 lindas primaveras hoje dia 25.
Para ele vai também o nosso grande abraço colectivo de parabéns. Contamos poder abraça-lo na quarta feira e erguer um copo de "generoso" à sua saúde.
Álvaro.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

P219-A nossa ajuda à Clinica Pediátrica de Bor

Uma das últimas crianças que vieram para o HGSJ para serem operadas já se encontra em convalescença. Não tem sido necessária a nossa ajuda já que à volta delas se tem criado um enorme movimento de solidariedade que faz com que não necessitem de sair do Hospital

Com a ajuda de um grupo de tertulianos e da nossa colaboração financeira o eco-cardiógrafo oferecido pelo Hospital de S. João lá foi despachado em Lisboa para a Guiné Bissau. Deve estar a chegar neste momento à Clínica Pediátrica de Bor onde seguramente terá uma utilização intensiva e útil. Ficamos contentes por termos ajudado.

Esta semana também parte da remessa de medicamentos e de artigos de medicina ambulatória que nos foram pedidos, ficam prontos para despacho. Faltam outros medicamentos cuja compra aqui se torna difícil por se tratarem de medicamentos hospitalares. Estamos a tentar que seja a Clínica de Bor a encomenda-los e nós a paga-los.
A nossa ajuda começa finalmente a dar os seus frutos.


P218-Parabéns ao Cancela

O nosso camarada Cancela faz hoje 63 anos.
Para ele vão os votos que passe um ótimo dia e que continue a gozar esta data por muitos anos.
Um grande abraço de parabéns e meu caro Cancela.. já sabes... na quarta feira não escapas...
Só lamento não poder estar presente por motivos já vossos conhecidos mas estarei seguramente em epírito.
Um grande abraço de toda a tabanca.
Alvaro

terça-feira, 11 de agosto de 2009

P216-Abraço do Norberto



Na semana passada recebi um postal do Norberto, que esteve a passar férias no Brasil. Mandou um abraço a todo o pessoal da Tabanca de Matosinhos.



Apesar de viver longe, na Suiça, já por duas vezes participou nos nossos convívios. A. Marques Lopes


domingo, 2 de agosto de 2009

P214-O Gato

Este meu amigo morreu faz hoje 6 meses.
Por isso me lembrei dele, e deste poema que fez aos oito gatos que tinha em casa.
Eu tenho um gato e acho que ele viu bem como eles são. Foi ao encontro daquilo que, há uns tempos, o Manuel António Pina disse na última página do "Jornal de Notícias": que nunca viu um gato a fazer habilidades num circo...
Meto este poema como uma variante às sardinhas (com tanto amor que lhes temos até podemos formar uma Confraria da Sardinha, como sugere o Lobo). - A. Marques Lopes

«AOS MEUS AMIGOS GATOS E A TODOS OS GATOS DO UNIVERSO

O GATO

O gato é um felino
Aristocrata
Sempre usou laço
Nunca quis gravata

O gato é um felino
Snob
De trato fino
Até vaidoso
O seu andar?
Suave silencioso
Independente
Misterioso
Nunca submisso
Mostra unhas
Também os dentes
Se em duelo
Tanto for preciso
Usa bigode
Destemido soberbo
Sempre snobe
Não conhece o medo
O seu porte
A muitos humanos
Não agrada
Mas este felino
É um nobre
Capaz de ronronar
Ao exigir uma carícia
É snobe
Mantém sempre
A cabeça levantada
É nobre
Até mesmo quando caga

O gato é um felino
Aristocrata
Sempre usou laço
Nunca quis gravata

Fernando Vale, 28.02.2008»


sexta-feira, 31 de julho de 2009

P209-Uma noite... inesquecível

O resgate falhado do Alferes Lopes

ou

O outro lado da mesma noite, a inesquecível 24.06.67.

Celebra-se, todos os anos, nesse dia e mês, na minha terra, num recanto Alentejano, o Feriado Municipal, dia de S. João, com os manjares gastronómicos e as folias próprias desse evento e que, em 1967, por ironia do destino, para além de tudo, não me deram tempo para recordar ou ter saudades. (perdoem-me a simbiose).

O Lopes sempre foi um gajo porreiro. Mas, nessa tarde, chegou-nos a triste notícia que tinha desaparecido em combate e era preciso unir esforços e trazê-lo para junto de nós.

Organizou-se, quase por instinto, um grupo não muito numeroso, já que em Geba, sede da Companhia, também não eramos muitos e assim, alguns de forma voluntária e outros por imposição (os mais desfavorecidos ou sejam o zé soldado e o preto) que, santo Deus, se dirigiu a Sinchã Jobel no final dessa tarde e lá se conservou durante uma parte da noite. Em vão é verdade, mas Ele (não o Deus) merecia o nosso sacrifício e dedicação.

Pensei nesse momento fantasmagórico e hoje, algo distante, confirmo que só os loucos, cegos pela guerra, poderiam ousar tamanha e desmedida aventura.

Aquilo que se passou, na tentativa de o recuperar, foi medonho, horrível, de tal forma que não consigo concentrar-me suficientemente para retratar o vivido na noite que considero a mais longa da minha permanência na Guiné. (tantas de autêntico inferno)

A descrição sentida e fabulosa que o Lopes, através da Net, nos transmitiu sobre a sua sobrevivência, (qual quadro real ?) quase me parece pequena comparada com o terror que se apoderou de mim e daquele grupo esforçado e socorrista.

Confesso que os minutos naquela clareira e as peripécias ali estabelecidas se tornaram do tamanho das horas, dias ou meses, tal a confusão gerada, essencialmente, por negligência do Comando ou o receio persistente de continuarmos vivos, naquele perigo, no mínimo, imaginativo.

Só quem nunca ouvira relatos da realidade de Jobel (mais tarde um dos cemitérios da 1690) e não era o caso, arriscaria perder todas aquelas vidas humanas. O caos era tanto que pediu opinião a um soldado nativo sobre o procedimento a tomar (estavam no local pelo menos 1 Alferes e 3 ou 4 Furriéis). Falo deste Comando porque foi o primeiro morto branco da Companhia, no rebentamento descuidado da mina que também vitimou o Alferes Lopes e que acabou por o trazer para uns meses de recuperação no H.M.L. Por ironia, habituei-me a pensar, a partir desse momento, que me tinha saído a sorte grande e que interiorizei, verdadeiramente, como que, mesmo que me matassem eu não morria, tais as obrigatoriedades operacionais que me impunha. O “senhor da guerra” entendia, entre outras coisas, que os outros militares do serviço de saúde não lhe mereciam confiança e então o Furriel (eu) tinha sempre de avançar. Enfim, contingências daquela guerra que, já na época, não eram compreensíveis ou aceitáveis.

Situando-me no momento, admitia eu que a nossa localização estivesse quase como a carne no assador, mas felizmente (quase um milagre) ninguém deu um tiro, porque em caso contrário, acabávamos por nos matar a nós próprios, já que a noite era de breu, não se vislumbrava um palmo para além dos nossos olhos e ali ninguém se entendia, imperava o desnorte, o medo e a incógnita.

Haverá, hoje, e referente à fase citada, uma multidão enorme, quase do tamanho do mundo, que não entende os perigos que nos envolviam e que do seu resultado dependia, para nós todos, a sobrevivência ou a morte.

Depois e para nosso bem (excluindo o Lopes) iniciámos a caminhada de regresso em silêncio, agarrados uns aos outros, embora com o enleio do emaranhado da mata cerrada, tivessem sido provocadas quedas e despegamentos, qual prolongar da odisseia, pelo que só no fim nos conseguimos juntar todos.

Quase me apetece parar, nesse presente tempo e concluir que afinal, para os bafejados pela sorte ou protegidos por algo, não decifrável, a vida continuaria.

Fomos, nessa noite, efectivamente, uns “sortudos”, mas, não me restam dúvidas, estivemos à beira de engrossar o vasto número dos desaparecidos ou mortos em combate, já que considero que enquanto lá permanecemos, coabitámos, paredes meias, com mortes anunciadas, que para bem de todos os intervenientes, nos foram perdoadas.

07.2009

Ex-Furriel Enfº. Silva

P.S.

Apercebo-me que a memória já não me vai confortando com muitos factos ocorridos, há mais de 40 anos e, confesso, isso me debilita em termos de me considerar perdedor de parte do vasto património da minha vivência.

Apesar de, contrastando com essa realidade, reparar com muita nitidez, que se mantêm bem transparentes quase todas as imagens daqueles tempos distantes e pernoitados na Guiné, onde, pura realidade, jamais sabíamos se o sol do dia seguinte ainda tinha algo que nos pertencesse.