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Saíu no "Diário de Notícias" de 6 de Fevereiro de 2009:
«Diversas associações de antigos combatentes e de militares dos actuais quadros permanentes estão a preparar um "Congresso dos Combatentes", em Lisboa, e que é o primeiro desde o fim da guerra colonial.
"Pretendemos que se comece a tratar as coisas frontalmente. Não podemos esquecer os veteranos que ainda estão vivos" e muitos deles deficientes de guerra, explicou ao DN o presidente da Federação Portuguesa das Associações de Combatentes, António Ferraz. A sessão de abertura do Congresso, que vai centrar-se no "reconhecimento e dignidade aos que serviram e servem as Forças Armadas", está marcada para o dia 10 de Junho, em Lisboa, data em que são homenageados - à margem das comemorações oficiais do Dia de Portugal - os mortos junto ao Monumento dos Combatentes do Ultramar (na Torre de Belém). Esta cerimónia, este ano, está a cargo de uma comissão presidida pelo general Tomé Pinto.
Conhecendo-se as dificuldades de relacionamento institucional e pessoal existentes no universo dos veteranos de guerra, diferentes fontes sublinharam ao DN que há um esforço de aproximação e unidade entre todos os intervenientes, nos bastidores, para evitar que a lógica reivindicativa do Congresso afecte a homenagem aos mortos - e para que a defesa dos interesses dos combatentes deixe de se cingir aos da guerra colonial, passando a incluir os que têm participado nas chamadas "novas missões de paz" (Bósnia, Kosovo, Afeganistão, Timor) desde a década de 90.
"Combatentes são todos" e o 10 de Junho "não é o momento de fazer reivindicações", referiu ontem o general Tomé Pinto, que agendou uma reunião para acertar agulhas e pedir sugestões, no próximo dia 18, com as associações de combatentes e as socio-profissionais de oficiais (AOFA), sargentos (ANS) e praças da Armada (APA).
Esta reunião vai dar sequência ao encontro que juntou aquelas associações - mas não a Liga dos Combatentes (LC) - no final de Janeiro, em Oeiras, e onde se formalizou a realização do Congresso. Noutro exemplo do esforço de união em curso, António Ferraz adiantou que já foi decidido convidar a quase centenária LC para se associar aos trabalhos do Congresso - o que dará ao evento, segundo uma das fontes, outra dimensão e importância.»
O que é que eu acho
Primeiramente, mais uma vez vai fazer uma intervenção junto ao Monumento dos Combatentes alguém que não viveu o que os combatentes sentiram. O Prof. Dr. Manuel Braga da Cruz é um académico reputado, um estudiosos da História e dignatário em muitos organismos oficiais e religiosos. Mas não foi um combatente, depreendo, pois Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica, em 1968, e foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura em Itália, entre 1970 e 1974, tendo-se licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Gregoriana de Roma. A guerra dele foi outra, pois. O seu discurso será bonito, acredito, mas ficará no vazio.
Depois, espanta-me que o general Tomé Pinto diga que o 10 de Junho "não é para fazer reivindicações". Antigamente o 10 de Junho serviu para reivindicar a continuação da guerra à custa dos heróis mortos. Porque não reivindicar agora melhor vida para os heróis vivos? É para continuar tudo na mesma.
Finalmente, "combatentes são todos" é para confundir, baralhar situações que não podem nem devem ser confundidas ou baralhadas: a Guiné não era o Kosovo nem o Afeganistão. Na Guiné dizia-se que defendíamos a Pátria, e nós é que pagávamos com a própria vida. No Kosovo e no Afeganistão, bem pagos, os que lá vão defendem o quê?... ao serviço de quem?... Não é desrespeito, é só para dizer que não é o mesmo.
Razão teve a "Terraweb" nas interrogações que colocou na fotografia que acompanhou aquela notícia do DN. E também a ADFA, que se desvinculou da organização deste Congresso.
A. Marques Lopes
Cor.Inf.Ref. DFA
(Membro da ASMIR, Associação de Militares na Reserva e Reforma, membro da AOFA, Associação de Oficiais das Forças Armadas, membro da ADFA, Associação de Deficientes das Forças Armadas, Secretário da Direcção da Delegação do Norte da Associação 25 de Abril)