quinta-feira, 23 de abril de 2009

P154-Mais uma Quarta cheia de surpresas

O corropio de caras novas e outras menos novas, continua, na sala das traseiras do restaurante Milho-Rei todas as quartas-feiras.
Fomos 37 ao todo desta assentada.
E que alegria e que animação e que... barulho...
A animação foi tante que durou até, já passava das 16.
Vejam por vós aqui nas fotos:

Aspecto geral ainda antes da função.. iriam chegar muitos mais


O Dr. Augusto Bidonga e o Zé Armando Almeida de 70/72-Banbadinca

O Jorge Felix e o Dr. Fernando Giesteira Gonçalves recentemente chegado de Bissau com noticias frescas


Em primeiro plano o Nascimento e o Eduardo Santos (cara nova) ambos de 68/70 - T.Pinto, Cacheu, Bissau




O simpático casal Gonçalves, o Fernando e a Lucinda que irão em breve encetar mais uma corajosa aventura de vida em Bissau


O Casal Alves, a Conceição e José (Leça) que ainda recentemente foram e voltaram à Guiné de carro Ao lado o nosso autarca de serviço.. o Carvalho


Outros dois grandes compinchas, o Victor Ferreira à esquerda que trouxe o Eduardo Santos camaradas de 68/70 em Teixeira Pinto etc..


Os dois irmãos Giesteira Fernandes e a Lucinda Silva



O Humberto Rebelo e eu em amena cavaqueira


O Pimentel à esquerda a trocar impressões com a Ana a esposa do Osório (que estava sentado em frente) Conheceram-se na recente viage à Guiné que fizeram


O Felix reencontrou o seu velho amigo Humberto Rebelo à sua esquerda e estava mesmo felix ou seria feliz?


Da dir. p/ a esq. o Luciano Rocha que viveu 16 anos em Bissau ao lado do Marques Lopes. Tantas histórias para contar
Mais adiante o Zé Firmino que começa a ser uma presente assidua na tertúlia . Mais adiante o Mesquita e o Barbosa



Em primeiro plano o Armando, grande camarada do Xico que acompanhou em Bissau os nossos tertulianos que recentemente se deslocaram de carro à Guiné.


Mais uma imagem do Zé Alves (Leça), da esposa Conceição e do Carvalho de Medas


Da esquerda para a direita o Jorge Cruz, o Nascimento, o Tomás Rocha, e o Barbosa



Mais uma imagem da confraternização. De pé à esq. o Osório e em primeiro plano o Eduardo Santos




O bem disposto doXico a fazer "fitas" como de costume e em baixo o Dr. Augusto, o Osório, o Zé Manel e o Guimarães



O Victor Ferreira que lançou a ideia da criação da bolsa de familias de acolhimento a falar aos presentes . O Carvalho a ouvir atentamente a ver se aprende (Ai as eleições....)


O Dr. Fernando Giesteira a falar sobre as necessidades da Clinica de Bor e a Ana a escuta-lo atentamente



Mais um aspecto da amena cavaqueira

O Dr. Augusto a aconselhar o internamento urgente do Silvério e o Carmelita a concordar plenamente....!!!!



A Lucinda a transmitir à Ana o segredo da juventude que a vai levar a lançar-se em breve muma nova vida em Bissau. Posso afirmar que o copo à frente da Lucinda não é dela...Juro!
Fotos de Jorge Teixeira, M. carmelita Jorge Felix e Francsico Allen

P153-Os novos membros da nossa Tertúlia

Temos cada semana vindo a noticiar o aparecimento de novos membros da Tertúlia que marcando presença no almoço das quartas, formalizam a sua entrada para esta grande família da Tabanca de Matosinhos.
Quando se despedem dos seus antigos companheiros, após o almoço, sentem-se melhores, mais leves, mais bem dispostos.
Encontraram no nosso espaço um lugar onde finalmente puderam falar de tantas memórias quantas vezes reprimidas durante sei lá quantos anos. Encontraram pessoas que falavam a sua linguagem e que comungavam de vivências e medos semelhantes.

No entanto há outras formas de estar na nossa Tabanca.


No passado dia 17, onze membros da Tabanca de Matosinhos quiseram acompanhar a viúva de um camarada do António Batista que com menos sorte que este, pereceu, fazia exactamente 37 anos em terras da Guiné na emboscada de má memória do Quirafo.

Foi uma cerimónia naturalmente muito emocionante e que nos tocou profundamente a todos.
Depositou-se uma coroa de flores no seu túmulo, tendo ao acontecimento, sido dado o merecido relevo no Blogue da Tabanca Grande. Deixo aqui e desde já um agradecimento muito especial ao Paulo Santiago e à jovem Cátia Félix que ajudaram de forma decisiva a Cidália Ferreira, a viúva do António Ferreira a superar a dolorosa recordação que o momento revestiu.


A cerimónia serviu igualmente para entronizar o António Ferreira a título póstumo como nosso camarada tertuliano da Tabanca de Matosinhos.



Ele irá estar sempre presente nos nossos almoços se não física pelo menos em espírito na nossa memória colectiva.



Claro que comunicamos à Cidália e à Cátia que elas ficarão com a incubência do o representarem sempre que para isso estejam dispostas , comparecendo nos nossos almoços das quartas.

Álvaro Basto

quarta-feira, 22 de abril de 2009

P151-Crianças da Guiné e a Tabanca de Matosinhos

Na sequência da deslocação a Portugal de duas crianças da Guiné Bissau para serem avaliadas e operadas ao coração, conforme noticia que se reproduz abaixo, com a devida vénia à SIC, esteve hoje a almoçar connosco o Dr. Augusto Bidonga, natural de Catió e Director Clínico da Clínica de Bor que se vocacionou para as doenças pediátricas.












Da conversa que fomos tendo ao longo do almoço ressaltou a incomensurável e já pródiga falta de meios com que se debate para fazer face a tantos casos desesperados de crianças que poderiam ser salvas de uma morte antecipada se tivessem ajuda externa.
Como gente habituada a arregaçar as mangas e a passar rápidamente à acção, logo ali se estabeleceu a criação de uma Bolsa de Familias de Acolhimento para as crianças que tenham a sorte de vir a poder beneficiar do tratamento hospitalar que necessitam.
Trata-se de uma área onde nos afirmaram ser grande o déficite, já que as mesmas não podem trazer acompanhantes familiares e na maior parte dos casos necessitam de cuidados ambulatórios do pós-operatório não havendo nenhuma Intituição que a isso se dedique.
Afinal muitos de nós temos um quarto lá em casa disponível e tempo para levarmos as crianças às consultas durante o período que por cá tenham que permanecer.

A lista já começou a circular e todos serão benvindos nesta ajuda que pode traduzir-se na viabilização de uma intervenção cirurgica destinada a dar vida a uma jovem vida.
Por isso, se quiserem e reunirem condições para dar este apoio, podem increver-se através do meu email (alvarobasto@gmail.com) indicando um nr. de telefone de contacto.
Álvaro Basto

segunda-feira, 20 de abril de 2009

P150-35º Aniversário do 25 de Abril




É no próximo sábado.
Com o 25 de Abril acabou a guerra, mas com ele tivemos também:














A Comissão Promotora das Comemorações do 25 de Abril na Cidade do Porto
(Associação 25 de Abril, URAP, USP, AJANorte, MDM, Mov.Paz, Federação das Colectividades do Distrito do Porto) tem este programa:




sexta-feira, 17 de abril de 2009

P149-As caras novas das nossas quartas-feiras

Como vem sendo habiual, nesta última quarta-feira, caras novas (e algumas bem bonitas), apareceram no almoço para connosco confraternizar.
Aqui ficam as imagens

O Manuel Teixeira dos Santos que estve no Xitole no plotão de morteiros em 72/74


O Paulo Santiago o Zé Teixeira, a Maria Luis Santiago (filha do Paulo Santiago) e a Cátia



O Paulo Santiago a Maria Luis e a Cátia (na mesa da presidência)


O Batista e o Mário Migueis



P148-A emboscada do Quirafo foi há 37 anos

17 de Abril de 1972 foi uma data fatídica para uma série de camaradas nossos que nos deixaram de forma abrupta e traiçoeira.
Nesse dia o Batista, deitado no chão após o enorme rebentamento das granadas de "bazooka" que íam pousadas dentro da GMC onde ele se tinha empoleirado, viu aproximar-se um "turra" e deitar-lhe a mão ao cano da espingarda para ver se estava quente ou frio. Felizmente estava frio pois o terror tinha-o paralizado... estava salvo por agora. O tiro de misericórdia que lhe estava destinado ficou reservado para outros que se contorciam com dores no chão.
Foi levado pelos guerrilheiros, desarmado pelo mato em coluna que o fizeram atravessar o rio Corubal por um caminho de pedras submersas e viu a água subir-lhe pelo corpo acima até ao pescoço. De repente pensou que não sabia nadar... não morri da emboscada e vou morrer aqui afogado, pensou.... mas a água foi lentamente descendo e finalmente estava do outro lado.
O Batista e o Mário Migueis que juntamente com o Paulo Santiago,
muito têm contribuído para o deslindar da verdade dos factos
Esperavam-no longos meses de doloroso cativeiro.
Foi um dia de pesadelo para os poucos que sobreviveram e para os que foram em socorro das vítimas. Imaginaram-se cenas, especularam-se hipóteses. No princípio nem se sabia ao certo quantos faltavam.
37 anos depois, alguns dos nossos camaradas da Tabanca de Matosinhos, entre os quais, alguns que viveram aquela tragédia no local, vão depositar uma coroa de flores no túmulo do António Ferreira no cemitério de Águas Santas juntamente com a Cidália, a sua viúva, prestando desta forma uma singela homenagem a todos quantos nesse dia pereceram em tão traiçoeira emboscada.
A nossa imaginação exacerbada pelo horror da tragédia e as nossas recordações incompletas e distorcidas pelo tempo, fizeram a Cidália acreditar que o seu amado António Ferreira poderia ter sido capturado vivo e à semelhança do que aconteceu com o Batista, um dia ainda regressar para o seio dos seus.
Arrumadas as ideias e refeitos os factos, infelizmente ficou comprovado que não.
O seu corpo descansa em paz no túmulo que lhe reservaram na sua terra natal.
Bem hajam todos quantos se têm esforçado pela determinação da verdade dos factos.
Álvaro Basto

quinta-feira, 16 de abril de 2009

P146-"Manga di Ronco" na Grande Tabanca de Matosinhos

Hoje tivemos a alegria, a honra e o prazer de ter connosco à mesa, o Régulo de Sinchã Shambel. O Suleimane Shambel Baldé, querido amigo e camarada dos meus tempos em Mampatá Forreá.



O Suleimane a assinar o quadro de Honra da Tabanca de Matosihos



O Carvalho a abraçar o Suleimane que conheceu era este cabo milicia comandado pelo Paulo Santiago no Pel.Cac.Nat 53


Filho do Régulo Shambel de Contabane (entre Aldeia Formosa e Saltinho), viu a sua Tabanca ser totalmente queimada no dia 22 de Junho de 1968, num violento e longo ataque do PAIGC . Os dois grupos de combate aí estacionados da C.Caç 2382, regressaram a Aldeia Formosa, com a roupa que tinham no corpo, dois dias depois, exactamente no dia em que eu lá pelo norte em Ingoré, me divertia numa Marcha de S. João. A guerra tinha destas coisas.

Ingoré 1968 -Marcha de S. João

Todas as moranças, e bens pessoais da população e dos militares fora destruídas pelo fogo. Restaram cinzas e lágrimas.
A população distribuiu-se numa primeira fase por Aldeia Formosa, Saltinho, Mampatá Forreá, etc. até ser reagrupada em Sinchá Shambel,( nome que quer dizer “terra de Shambel” em honra de seu pai) no Saltinho.
Um mês depois coube à minha Companhia fixar-se na zona, onde ficou até ao fim da Comissão.
O Suleimane, começou por fixar-se em Mampatá no grupo de milícia, onde nos conhecemos, depois foi para a Chamarra. Como pelos lados de Gandembel a “festa” aquecia, foi deslocado para lá, tendo passado uns tempos em Ponte Balana.
Decidida a retirada estratégica desses destacamentos, o Suleimane foi colocado de novo na Chamarra e posteriormente foi engrossar o Pelotão de soldados nativos organizado e comandado pelo Paulo Santiago no Saltinho.
Hoje, com 73 anos bem vividos e bem conservados, quatro mulheres e 21 filhos, vive, tanto quanto nós, os combatentes da “Metrópole”, a nostalgia daqueles tempos. Recorda, nomes, fisionomias, tiques de antigos comandantes e camaradas. Quer revê-los, abraçá-los. Recordar aventuras e estórias, momentos de luta, sofrimento e dor, bem como momentos de alegria e festa que também tivemos.

Buba 2005-Pista de aviação transformada em zona de habitação
Em 2005, quando voltei à Guiné, tive o grato prazer de, numa terra onde nunca tinha estado ( Saltinho) ser reconhecido e ouvir chamar pelo meu nome – “Tissera”. Uma bonita e simpática senhora, não hesitou em vir ao meu encontro e identificar-se como filha do Aliu Baldé de Mampatá e “mindjer” do Suleimane Shambel Baldé, soldado milícia em Mampatá, dos velhos tempos da minha juventude. Era a Ádada, “bajuda bonita” daqueles tempos e que ainda “guarda” essa beleza. Foi um choque emocional tremendo e gratificante. Só por si, valeu a pena voltar à Guiné. O Suleimane estava fora, pelo que não nos pudemos abraçar
A Mãe do Suleimane, hoje, com 98 anos bem vividos, veio receber-me num abraço apertado e lágrimas nos olhos, gritando: Branco na volta, branco na volta !
O Ano passado, voltei. A Ádada voltou a receber-me com carinho e tive o prazer de abraçar o Suleimane.
Agora, foi a vez de ele nos vir visitar.


Saltinho 2005 - Viúva de Sjambel - Régulo de Contabane

A Ádada Mulher do Suleimane


Um nome – Capitão Rui, onde está? Era o Capitão da C. Caç. 2382 que defendeu a população de Contabane, no terrível ataque de Junho de 1968.
Outro nome – “Alfero” Barbosa (muito alto), da minha companhia com quem conviveu na Chamarra (infelizmente já falecido)
Obrigado Suleimane, por estes belos momentos que voltamos a reviver.
Zé Teixeira
Fotos de Alvaro Basto e Zé Teixeira