sábado, 11 de abril de 2009

P140-O Pimentel vai fazer anos

A não perder.... na próxima quarta-feira.... o Pimentel faz.... digamos... alguns anos... muitos .. mais de 50 e menos de 100... (eu desta vez não digo quantos se não o Portojo cai-me em cima).


Vamos ter o habitual bolo e se se portarem bem talvez qualquer coisita para se beber com o café.... não faltem....


Álvaro Basto

P139-Os "especiais"

Uma vez mais iremos fugir ao tema a que nos propusemos com a criação deste blogue mas, ainda a propósito da frase no mínimo infeliz de um general num programa televisivo, recebemos para publicação o texto abaixo da autoria do nosso querido e sempre presente camarada Barbosa que nos pareceu que seria do agrado de todos quantos vão seguindo estas nossas peripécias, comezainas e outras manifestações de camaradagem salutar.
Espero que gostem tanto quanto eu gostei

Os "Especiais"

Aqui há tempos fui desafiado, na nossa Tabanca, por vários colegas a escrever alguns episódios que, de vez em quando, ia relatando oralmente, sobre a nossa passagem pela Guiné.
Isto, a propósito de algumas expressões menos felizes , utilizadas por um senhor oficial superior, que terá apelidado alguns portugueses que prestaram, como nós, o seu serviço militar algures no interior da Guiné-Bissau, de ”bandos cercados por arame farpado”.
Então, aqui vai o primeiro:



Fui mobilizado para a Guiné em 1966, incorporado no Pelotão de Cavalaria A.M.L. 1106. O primeiro de auto-metralhadoras Panhard, a ser constituído após a compra destes carros à França.
Tínhamos como missão principal escoltar todas as colunas militares que estabeleciam as ligações de Bula para Có – Pelundo - Teixeira Pinto - Bachil – Cacheu e Binar – Biambi e outras. Isto é, a partir de Bula, onde estávamos aquartelados, fazíamos segurança e escolta a todas as colunas que seguiam para estes locais onde, numa fase inicial, ficavam acampados e depois iniciavam a construção dos aquartelamentos.


É evidente, que os militares que se encontravam nos acampamentos, não tinham as condições dos que estavam nos aquartelamentos. Só Deus sabe … claro que, se às vezes nem água tinham para beber, quanto mais para tomar banho.
Seria pelo mau aspecto que aparentavam fisicamente, devido às condições sub-humanas a que estavam sujeitos, que foram confundidos com bandos, não obstante, serem flagelados quase permanentemente por fogo inimigo.
Em meados de 1967, quando seguíamos numa coluna militar a caminho de Binar, fomos atacados. Logo nos apercebemos que o fogo vinha do lado esquerdo e, como por acaso desse lado o terreno estava capinado, avançámos naquela direcção com os dois carros de combate Panhard, ao mesmo tempo que eram efectuadas algumas rajadas e morteiradas dado que cada carro, para além de duas metralhadoras, tem também um canhão de tiro directo.
A emboscada foi silenciada rapidamente, não tendo havido, felizmente, qualquer baixa ou, até, qualquer ferido.
Regressámos à picada e prosseguimos até ao objectivo, o aquartelamento de Binar, não sem antes termos ficado surpreendidos pela presença, nada habitual , de um pequeno avião que sobrevoava aquele local. Tratava-se de uma “DO”- Dornier militar.
Ao chegar a Binar logo verificámos que esta pequena aeronave ali se encontrava, rodeada por diversos oficiais e fomos avisados que um senhor oficial do CTIG queria falar com quem vinha nas Panhards.

Primeira saída para o Biambe - a organização da coluna

Dirigi-me ao seu encontro, ainda hoje não sei se era coronel ou brigadeiro, pois não me lembro de ter visto os galões ou as estrelas. Só me recordo que, quando me aproximei dele perguntou-me, de imediato, se sabia quanto custava uma Panhard ao exército português . Perante a minha estupefacção, ele respondeu à sua própria pergunta: -“ custa 1500 contos” e prosseguiu “o senhor já viu o prejuízo que podia causar ao sair da estrada?”.
Ainda ripostei, tentando dizer-lhe que as viaturas imóveis eram alvos fáceis, tal como se aprende na recruta e é dos “books”, mas ele não se conteve e, perante a minha reacção, ainda me ameaçou com prisão se não me calasse.
Valeu a intervenção de um outro oficial que me pediu para ter calma após eu ter retorquido que pensava que estávamos numa guerra a sério e que a nossa missão ser a de tentar proteger a coluna da melhor maneira.
Mas o caricato deste episódio, não termina aqui.
Passados uns dias, um oficial, da sala de operações de Bula, afirmou-me que afinal a nossa reacção à emboscada no percurso para Binar tinha sido um êxito, pois fora publicado em O.S. do CTIG um louvor à escolta, dado que, naquela altura, estaria a decorrer uma operação dos “especiais” naquele local (Daí a presença daqueles oficiais em Binar e de termos sido sobrevoados pelo DO) e, estes, após a emboscada encontraram no local da mesma muitas armas abandonadas, no local da mesma , pelo inimigo face à nossa reacção.
É assim a guerra, ou melhor, o paradoxo das atitudes de alguns oficiais. Às vezes, acabava por se gerar um mundo de reacções contraditórias que quase nos levavam à revolta, pela obscuridade de interesses que escondiam e que não percebíamos.
Voltando à motivação pela qual estou escrevendo,

Minutos depois estávamos a sofrer uma emboscada

ainda hoje não consigo interpretar correctamente as palavras recentes de um Sr. General que também prestou serviço na Guiné como nós, quando numa entrevista afirmou que no teatro das operações havia soldados que se portavam como bandos cercados por arame farpado.
Ora aqui está mais uma contradição. 40 anos depois…Bandoleiros cercados por arame farpado, sim, porque se fossem bandos estariam em movimento. A palavra bando sugere acção e não imobilidade como era o caso. Isto é, eram, a qualquer momento, alvos permanentes, o que não acontecia aos “especiais”.
Nesta conformidade e pela afirmação do sr. General, não é difícil concluir, que “ bandos cercados por arame” … seriam bandoleiros em “ cumprimento de pena”… por terem estado, com aquele sacrifício, a contribuir para o “prestígio” alcançado por alguns oficiais “superiores”.
Também pode haver uma outra interpretação, terá sido porque esses soldados não eram “especiais” e, nestas condições, jamais poderiam aspirar a ser tratados com a mesma dignidade, que leva a que, 40 anos depois, haja promoções com o objectivo de melhorar a sua reforma, melhor dizendo, choruda reforma, como aquela que, segundo consta, vai ser atribuída a um oficial, também “especial”, 20 anos depois da sua aposentação?

Mais palavras… para quê!?..

A.Marques Barbosa

sexta-feira, 3 de abril de 2009

P135-Um sábado bem passado

Fotos de Jorge Felix, Alvaro Basto, Jorge Teixeira, Lobo e Carmelita

quinta-feira, 2 de abril de 2009

P132-na próxima quarta há "Galinha de Chabéu"

Para assinalar a visita à Tabanca de Matosinhos do editor chefe do Blogue, o nosso querido amigo Luis Graça, na próxima quarta-feira vamos ter para além das tradicionais sardinhas assadas, Galinha de Chabéu.
É uma iniciativa só possivel graças à prestimosa colaboração do Xico Allen que inclusivé arranjou uma cozinheira guineense que irá confecionar o manjar no restaurante Milho Rei.
Fica aqui igualmente uma palavra de apreço à inestimável disponibilidade do referido restaurante que se prestou a dar-os toda a colaboração necessária para que a festa seja um êxito
Quem quizer ou puder aparecer faça o favor, pois será muito bem vindo.

Álvaro Basto

nota: foto publicada no blogue avozdaquinta.blogspot com a devida véna

P131-Mais caras novas na nossa Tabanca e os 65 anos do João Rocha

Com já vem sendo tradição, festejou-se na passada quarta feira o 65º aniversário do João Rocha que teve que cumprir a praxe de pagar o bolo de aniversário se quis que se lhe cantássemos os parabéns a você... Muita alegria e comoção



Mais duas caras novas para a nossa Tabanca. O José Rodrigues Firmino que enre 69 e 71 esteve em Jolmete e o Victor Santos, enfermeiro entre 68/70 da CCAC 2368 do BCAC 2845 que esteve entre outros em Teixeira Pinto e Bissoran
Eis aqui as fotos
O Zé Teixeira ao lado do Victor Silva


O Firmino ladeado do Xico Allen e do Cancela
Foi mais uma quarta muito amimada e onde foram anunciadas as novidades para a próxima reunião...mas isso vai ser objecto de post separado.
Até quarta camaradas
Álvaro Basto

quarta-feira, 1 de abril de 2009

P130-SEMENTES PARA A GUINÉ

Camaradas.
A campanha já começou na Tabanca de Matosinhos.
Eis a lista dos heróis que hoje ousaram chegar-se à frente.
Foi um "bando" pequeno, mas cheio de boa vontade.
- João Rocha 20.00
- José Teixeira 20.00
- Jorge Teixeira 20.00
- Pimentel 20.00
- António Carvalho 20.00
- José Firmino 20.00
- David Guimarães 20.00
- Marques Lopes 20.00
- Alvaro Basto 20.00
- António Barbosa 20.00
- Silvério Lobo 20.00
- Xico Allen 20.00
- José Cancela 20.00
- Manuel Carmelita 20.00
- Almeida (custóias) 20.00
- Vitor Silva 20.00
- Albano Costa 20.00
Total 340.00

Agora só é preciso que cada um dos bloguistas e seguidores atentos (leitores), que são muitos, tenham a coragem de seguir este "bando".Toca a sair do arame farpado, tirar 20.00€ da carteira.
"Um pouco" para quem tem algum, não é nada. Pouco, para quem não tem nada é muito.

Zé Teixeira

terça-feira, 31 de março de 2009

P129-Quem é o Norberto que nos visitou

Norberto TAVARES DE CARVALHO nasceu no dia 6 de Junho de 1952 em Taliuará, também conhecida pelo nome de Ponta do Nhu Kôte, perto de Xime, arredores de Bambadinca, no leste da Guiné.
Ainda jovem, engajou-se na luta contra a opressão, primeiramente nas fileiras do PAIGC como militante clandestino e mais tarde nos meios intelectuais. O seu engajamento valeu-lhe alguns dissabores e vários anos de prisão. Sob o regime colonial foi preso em 1972 por ordem expressa do General Spínola, então Governador da Guiné, por ter liderado um levantamento estudantil em Bissau.
Preso de novo em 1973, por pertencer à rede clandestina do PAIGC, foi condenado a 3 anos de trabalhos forçados na Ilha das Galinhas e libertado após o 25 de Abril.
Sob o regime do PAIGC, após o golpe de estado do 14 de Novembro de 1980, foi preso por ter pertencido às forças da segurança como chefe dos serviços da migração.
Após a sua libertação, em Maio de 1983, face às barreiras de reinserção erigidas à sua volta pelas novas autoridades, teve que abandonar a Guiné.
Na Suíça, onde se refugiou, formou-se nas Altas Escolas Especializadas do domínio das ciências sociais. Em 1998, fez o seu Brevet Federal de Formador de Adultos na Universidade Operária de Genebra. É titular do Master Europeu em Mediação pelo Instituto Universitário Kurt Bösch, tendo consagrado a sua tese de de diploma na reflexão de um dos problemas de maior importância dos nossos dias : a prevenção e a gestão de conflitos. A sua contribuição liga-se à volta dos métodos tradicionais africanos de gestão de conflitos e de reconciliação nos mecanismos nacionais e internacionais da mediação. Faz parte da lista dos Mediadores Civis do Estado de Genebra.
Quanto à Guiné, Norberto nunca escondeu a sua aversão total à política que sempre considerou abusiva do General João Bernardo Vieira, Nino, então Presidente da República, na forma perfidiosa como conduziu os destinos do povo guineense. Entretanto, condena com toda a veemência os actos que tiveram lugar, neste mês de Março de 2009, em Bissau, e tem esperança de um futuro melhor para o povo guineense.