segunda-feira, 13 de abril de 2009

P142-o nosso cantor lírico Carlos Costa

Esteve prisioneiro na antiga Indía Portuguesa e é um dos nossos mais recentes Tertulianos da Tabanca de Matosinhos. Homem de raros dotes já retratados no Blogue-Mãe pelo Luís Graça no seu Post 4161 com o título "Canto Lírico na Tabanca de Matosinhos".
Para melhor se avaliar o que por lá se ouviu, aqui deixo umas imagens do Carlos a cantar "Oh Coimbra do Mondego" num espectáculo que o grupo "Do Choupal até à Lapa", onde participam também os nossos camaradas David Guimarães e Manuel Martins (este, ainda bem recentemente almoçou connosco), deu numa casa de espectáculos bem conhecida aqui no Porto.
Espero que gostem

Álvaro Basto



P141-Numa mão a espada e noutra a viola

Ora aqui está a prosa irreverente mas quase poética do nosso querido camarada David Guimães com memórias do Xitole onde esteve antes de mim.

Bem acho que eventualmente ao menos eu, que tenho pouco jeitinho para prosa e para retórica enfim, sou como me conhecem, falo alto e sou entusiasta no que digo, disse um dia bem baixinho ao Jorge (PORTOJO), num Mail que lhe enviei que Xaveu se escrevia de outro modo - comer claro sempre pela boca... É evidente que ele até achou piada que eu enviasse receita - ela está aí bem na NET - pronto, para que iria eu "plagiar" uma coisa para meter no blogue e armar-me em cozinheiro, logo eu que tenho horror a cozinhas - disse cozinhas não a cozinhados...


O chabéu esteve óptimo, foi uma ideia bela mas contudo - faltaram as sardinhas, prato forte e predilecto da nossa Tabanca. O mais giro foi que dei uma boleia a um amigo que me disse: "pôrra" Guimarães que até estou meio enfartado... eu disse somente: - comeces menos... Então isto para dizer que apesar de faltarem as sardinhas o frango chegou e bem, pelos vistos e todos gostamos...
Eu é que nunca me chateio quando me perguntam... Guimarães já pagaste? Guimarães já deste alguma coisa para as sementes? Esta é a paga que tenho rodas as semanas e afinal só me safo disso quando não vou à Tabanca... É perseguição mesmo...
E…..conheço Mampatá, Guileje, e isto e aquilo... as grandes batalhas que se deram aqui e acolá - lá bem na nossa Guiné - eu digo nossa porque como todos temos uma rua, uma quinta porque não ter a nossa Guiné...e mais. É o Mampatá, é Bedanda, é Có e o Saltinho, Bambadinca etc etc etc... Como filho que todos somos do Blogue Grande decerto que o sector por onde eu andei já foi tratado exaustivamente e a guerra já acabou por lá... E pronto fala-se em Cussilinta, colónia Balnear bem perto de "Cambessé" e "Sincha-Madio" a uns cinco Quilómetros de Tangali, a uns 8 da Ponte dos Fulas e que estavam á guarda de uma Companhia que estava sediada no Xitole.... Muita gente que conhece a ponte dos Fulas e Cussilinta perguntaram-me onde era Xitole... Pois é que agora com a estrada alcatroada já nem se passa no Xitole bem mas um tanto ao lado e como cada ex-combatente que vai á Guiné vai ver a sua terra pronto - que se lixe o Xitole... O Xitole tem história e teve bem guerra e sei que ainda hoje existe a marca no antigo depósito de géneros - que ainda lá está - de uma granada que lá entrou num fim de tarde de um dia do ano de 1971 e partiu uns garrafões de vinho... Nenhuma granada mais lá acertou e ainda bem, e foram muitas quando para lá foi morar um Morteiro 107 milímetros... etc etc etc... Sendo que o Saltinho por exemplo já tinha sido antes de ser companhia, um destacamento do Xitole.
Eu afinal estou a dizer isto tudo para justificar uma fotografia que eu desconhecia e me fizeram o favor de me enviar como prenda de Páscoa - foi um ex-camarada da CCS que o destino um dia quis que fosse projectado pelo para brisas de uma GMC e fosse evacuado... vá lá coseram-no bem os cirurgiões para a altura, e hoje manda uma cicatriz desde a cabeça até isso mesmo que pensam...
Ora bem, é uma estada de piras (seis meses mais ou menos) que chegaram há pouco ao mato da Guiné, ano de 1970 e fácil é ver pelas botas muito bem conservadas ainda... pois aí era onde os sargentos comiam - MESSE DE SARGENTOS...
Camões diz: "numa mão a espada e noutra a pena" eu mudei a espada pela viola e o Meirinho também - numa mão a espingarda e noutra a viola.



Da esquerda para a direita – O Arlindo e Rodas que era furriel miliciano atirador da CCAC 12 e mora em Setúbal. A seguir o Furriel Mecânico Cabete que vive na Figueira, eu, atrás o Sargento Santos de Leiria, o Furriel Rei atirador que vive em Azeitão, o Ribeiro atirador, esse de bigode que vive aí em Leça, atrás o Martins que era o Furriel Ranger que vive para os lados de Lisboa e o outro da Viola é exactamente o "saudoso" Furriel Enfermeiro Meirinho que o Álvaro Basto substituiu...


Aí está o local onde os sargentos comiam na altura - para memória de quem pelo Xitole passou...


UM ABRAÇO,
DAVID GUIMARÃES

sábado, 11 de abril de 2009

P140-O Pimentel vai fazer anos

A não perder.... na próxima quarta-feira.... o Pimentel faz.... digamos... alguns anos... muitos .. mais de 50 e menos de 100... (eu desta vez não digo quantos se não o Portojo cai-me em cima).


Vamos ter o habitual bolo e se se portarem bem talvez qualquer coisita para se beber com o café.... não faltem....


Álvaro Basto

P139-Os "especiais"

Uma vez mais iremos fugir ao tema a que nos propusemos com a criação deste blogue mas, ainda a propósito da frase no mínimo infeliz de um general num programa televisivo, recebemos para publicação o texto abaixo da autoria do nosso querido e sempre presente camarada Barbosa que nos pareceu que seria do agrado de todos quantos vão seguindo estas nossas peripécias, comezainas e outras manifestações de camaradagem salutar.
Espero que gostem tanto quanto eu gostei

Os "Especiais"

Aqui há tempos fui desafiado, na nossa Tabanca, por vários colegas a escrever alguns episódios que, de vez em quando, ia relatando oralmente, sobre a nossa passagem pela Guiné.
Isto, a propósito de algumas expressões menos felizes , utilizadas por um senhor oficial superior, que terá apelidado alguns portugueses que prestaram, como nós, o seu serviço militar algures no interior da Guiné-Bissau, de ”bandos cercados por arame farpado”.
Então, aqui vai o primeiro:



Fui mobilizado para a Guiné em 1966, incorporado no Pelotão de Cavalaria A.M.L. 1106. O primeiro de auto-metralhadoras Panhard, a ser constituído após a compra destes carros à França.
Tínhamos como missão principal escoltar todas as colunas militares que estabeleciam as ligações de Bula para Có – Pelundo - Teixeira Pinto - Bachil – Cacheu e Binar – Biambi e outras. Isto é, a partir de Bula, onde estávamos aquartelados, fazíamos segurança e escolta a todas as colunas que seguiam para estes locais onde, numa fase inicial, ficavam acampados e depois iniciavam a construção dos aquartelamentos.


É evidente, que os militares que se encontravam nos acampamentos, não tinham as condições dos que estavam nos aquartelamentos. Só Deus sabe … claro que, se às vezes nem água tinham para beber, quanto mais para tomar banho.
Seria pelo mau aspecto que aparentavam fisicamente, devido às condições sub-humanas a que estavam sujeitos, que foram confundidos com bandos, não obstante, serem flagelados quase permanentemente por fogo inimigo.
Em meados de 1967, quando seguíamos numa coluna militar a caminho de Binar, fomos atacados. Logo nos apercebemos que o fogo vinha do lado esquerdo e, como por acaso desse lado o terreno estava capinado, avançámos naquela direcção com os dois carros de combate Panhard, ao mesmo tempo que eram efectuadas algumas rajadas e morteiradas dado que cada carro, para além de duas metralhadoras, tem também um canhão de tiro directo.
A emboscada foi silenciada rapidamente, não tendo havido, felizmente, qualquer baixa ou, até, qualquer ferido.
Regressámos à picada e prosseguimos até ao objectivo, o aquartelamento de Binar, não sem antes termos ficado surpreendidos pela presença, nada habitual , de um pequeno avião que sobrevoava aquele local. Tratava-se de uma “DO”- Dornier militar.
Ao chegar a Binar logo verificámos que esta pequena aeronave ali se encontrava, rodeada por diversos oficiais e fomos avisados que um senhor oficial do CTIG queria falar com quem vinha nas Panhards.

Primeira saída para o Biambe - a organização da coluna

Dirigi-me ao seu encontro, ainda hoje não sei se era coronel ou brigadeiro, pois não me lembro de ter visto os galões ou as estrelas. Só me recordo que, quando me aproximei dele perguntou-me, de imediato, se sabia quanto custava uma Panhard ao exército português . Perante a minha estupefacção, ele respondeu à sua própria pergunta: -“ custa 1500 contos” e prosseguiu “o senhor já viu o prejuízo que podia causar ao sair da estrada?”.
Ainda ripostei, tentando dizer-lhe que as viaturas imóveis eram alvos fáceis, tal como se aprende na recruta e é dos “books”, mas ele não se conteve e, perante a minha reacção, ainda me ameaçou com prisão se não me calasse.
Valeu a intervenção de um outro oficial que me pediu para ter calma após eu ter retorquido que pensava que estávamos numa guerra a sério e que a nossa missão ser a de tentar proteger a coluna da melhor maneira.
Mas o caricato deste episódio, não termina aqui.
Passados uns dias, um oficial, da sala de operações de Bula, afirmou-me que afinal a nossa reacção à emboscada no percurso para Binar tinha sido um êxito, pois fora publicado em O.S. do CTIG um louvor à escolta, dado que, naquela altura, estaria a decorrer uma operação dos “especiais” naquele local (Daí a presença daqueles oficiais em Binar e de termos sido sobrevoados pelo DO) e, estes, após a emboscada encontraram no local da mesma muitas armas abandonadas, no local da mesma , pelo inimigo face à nossa reacção.
É assim a guerra, ou melhor, o paradoxo das atitudes de alguns oficiais. Às vezes, acabava por se gerar um mundo de reacções contraditórias que quase nos levavam à revolta, pela obscuridade de interesses que escondiam e que não percebíamos.
Voltando à motivação pela qual estou escrevendo,

Minutos depois estávamos a sofrer uma emboscada

ainda hoje não consigo interpretar correctamente as palavras recentes de um Sr. General que também prestou serviço na Guiné como nós, quando numa entrevista afirmou que no teatro das operações havia soldados que se portavam como bandos cercados por arame farpado.
Ora aqui está mais uma contradição. 40 anos depois…Bandoleiros cercados por arame farpado, sim, porque se fossem bandos estariam em movimento. A palavra bando sugere acção e não imobilidade como era o caso. Isto é, eram, a qualquer momento, alvos permanentes, o que não acontecia aos “especiais”.
Nesta conformidade e pela afirmação do sr. General, não é difícil concluir, que “ bandos cercados por arame” … seriam bandoleiros em “ cumprimento de pena”… por terem estado, com aquele sacrifício, a contribuir para o “prestígio” alcançado por alguns oficiais “superiores”.
Também pode haver uma outra interpretação, terá sido porque esses soldados não eram “especiais” e, nestas condições, jamais poderiam aspirar a ser tratados com a mesma dignidade, que leva a que, 40 anos depois, haja promoções com o objectivo de melhorar a sua reforma, melhor dizendo, choruda reforma, como aquela que, segundo consta, vai ser atribuída a um oficial, também “especial”, 20 anos depois da sua aposentação?

Mais palavras… para quê!?..

A.Marques Barbosa

sexta-feira, 3 de abril de 2009

P135-Um sábado bem passado

Fotos de Jorge Felix, Alvaro Basto, Jorge Teixeira, Lobo e Carmelita

quinta-feira, 2 de abril de 2009

P132-na próxima quarta há "Galinha de Chabéu"

Para assinalar a visita à Tabanca de Matosinhos do editor chefe do Blogue, o nosso querido amigo Luis Graça, na próxima quarta-feira vamos ter para além das tradicionais sardinhas assadas, Galinha de Chabéu.
É uma iniciativa só possivel graças à prestimosa colaboração do Xico Allen que inclusivé arranjou uma cozinheira guineense que irá confecionar o manjar no restaurante Milho Rei.
Fica aqui igualmente uma palavra de apreço à inestimável disponibilidade do referido restaurante que se prestou a dar-os toda a colaboração necessária para que a festa seja um êxito
Quem quizer ou puder aparecer faça o favor, pois será muito bem vindo.

Álvaro Basto

nota: foto publicada no blogue avozdaquinta.blogspot com a devida véna

P131-Mais caras novas na nossa Tabanca e os 65 anos do João Rocha

Com já vem sendo tradição, festejou-se na passada quarta feira o 65º aniversário do João Rocha que teve que cumprir a praxe de pagar o bolo de aniversário se quis que se lhe cantássemos os parabéns a você... Muita alegria e comoção



Mais duas caras novas para a nossa Tabanca. O José Rodrigues Firmino que enre 69 e 71 esteve em Jolmete e o Victor Santos, enfermeiro entre 68/70 da CCAC 2368 do BCAC 2845 que esteve entre outros em Teixeira Pinto e Bissoran
Eis aqui as fotos
O Zé Teixeira ao lado do Victor Silva


O Firmino ladeado do Xico Allen e do Cancela
Foi mais uma quarta muito amimada e onde foram anunciadas as novidades para a próxima reunião...mas isso vai ser objecto de post separado.
Até quarta camaradas
Álvaro Basto