quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
P075-Mais uma animada quarta-feira
domingo, 11 de janeiro de 2009
P073-Antes da guerra (7)... fui filósofo.
25 de Maio de 1962 - A irmã do meu amigo veio hoje visitá-lo. Antes não o fizesse. Fiquei encantado com ela. Adeus, amor! Ficarás no mais fundo do coração. Se alguma vez alguém te vier buscar, Deus queira que não estejas morto... Dorme, mas não morras. De vez em quando, grita, suplica-me para eu te alimentar. Alimentar-te-ei custe o que custar, com o meu próprio sangue, com a minha vida. O que eu não quero é que morras. Quero eu morrer, tu viverás eternamente. Quando eu morrer serás realidade. Agora, és aquela estranha sensação que sinto no fim dum sonho lindo. Fazes-me lembrar o sonho mais belo que tive até agora.2 de Junho de 1962 - A vida é uma comédia. Às vezes, pensamos ser os protagonistas. Só no fim é que descobrimos que fomos o estrião. Vou esforçar-me por matar em mim o sentimento. Tem-me estragado a vida. Cada vez me convenço mais que a insensibilidade é o estado da verdadeira felicidade. Só me sinto bem quando estou longe dos outros. Só... comigo...
22 de Dezembro de 1962 - O que é um santo?... Um santo é um fantasma que ficou petrificado – em posição quase sempre incómoda – num nicho, rodeado de velhotas de pele encarquilhada.
1 de Janeiro de 1963 - Como é terrível dar o passo que há-de decidir de todo o rumo da nossa vida! Pesam-se os dois lados, tacteiam-se os dois campos... e em ambos há espinhos que picam e pesos insuportáveis. E se o rumo que tomamos é errado?... Vou correr a aventura.
7 de Janeiro de 1963 - É lamentável a falta de lógica que se nota em tanta gente. Contradizem a sua conduta com expressões demasiado dogmáticas, sem, ao menos, possuírem aquele bom senso que as poderia fazer calar. São o exemplo mais expressivo e mais real do princípio da contradição.
8 de Janeiro de 1963 – Hei-de interessar-me pelo que os outros possam dizer da minha deserção?... Quem me poderá julgar? Quem terá a base necessária para me julgar com equilíbrio? A maioria pertence à categoria dos superficiais... os que imaginam e supõem... E, por conseguirem imaginar e supor, quantos juízos e considerações dogmáticas! Deles não devo temer nada. Interessa-me o que dirão os espíritos profundos, esses que sabem distinguir... e esses são os que eu estimo. Como o padre Abbá, que me disse outro dia, amigavelmente, que a vida não é só aqui, que lá fora também há vida. É o único que me compreende, ele e o meu amigo Gonçalves. Temos falado. E ele ouve-me calmamente. Os charlatães só podem iludir o “Zé Povinho”. Mas há tanto charlatão e tanto papalvo por aí... Há uma certa semelhança entre eles e o “ápeiron” de Anaximandro: dizem tudo mas não possuem nada. São superficiais, nunca baixaram à medula... Só os que eu estimo baixaram lá. Só a estes deixei penetrar no meu “eu”, porque é a minha essência, privada do fictício e do acessório... E depois da minha deserção com quem posso contar? Comigo mesmo. Não me refiro ao “eu” ostensivo, mas a um outro “eu” que encontrei dentro de mim num momento de extrema debilidade.... É lá – no meu “eu” espiritual – que não pode entrar nenhum estranho; é lá que se encontra – que eu encontro – um lugar seguro. Quando me vir perseguido hei-de refugiar-me lá, baterei a porta na cara dos perseguidores... Poderão bater, escoicinhar... a “mim” é que não poderão chegar.
E Virgílio Ferreira continua a ser, com a sua magistral escrita, uma grande referência para mim:
«(...) o peso da dor nada tem que ver com a qualidade da dor. A dor é o que se sente. Nada mais. Desisto definitivamente de me iludir com a minha força de adulto sobre o peso de uma amargura infantil. Exactamente porque toda a vida que tive sempre se me representa investida da importância que em cada momento teve. Como se eu jamais tivesse envelhecido. Exactamente porque só é fútil e ingénua a infância dos outros - quando se não é já criança.»
sábado, 10 de janeiro de 2009
P072-Do Pdjiguiti para o Cumeré
Como os tempos mudam.
Agora já não precisamos da velha GMC ou do Unimog para ir até ao Cumeré, ou Bula. A STCP tomou a iniciativa de colocar na Guiné autocarros bem modernos.
Os camaradas que em breve vão partir de novo, agora voluntariamente, para a Guiné, numa visita para rever velhos amigos e matar saudades, não precisam de se preocupar. O tempo de espera é que pode não ser convidativo.
Zé Teixeira
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
P071-A nossa 1ª quarta-feira do ano
Estão a tornar-se um caso no mínimo paradigmático estes nossos encontros à quarta-feira.
E depois uns arrastam outros e o resultado está à vista.
Éramos 31 ao todo na passada quarta-feira no Milho Rei.
O "debrifing" após o almoço torna-se animadíssimo com frases do tipo, então onde estiveste diz lá?.... então lembras-te disto e daquilo... é um reviver extraordinariamente salutar e amistoso que ajudado pela barriga bem cheia (de comida e não só) torna aquele espaço nas traseiras do Milho Rei um local mítico de vivências passadas. É quase uma terapia colectiva.
Desta vez para além dos habituais apareceram pela primeira vez:
O Ruano de Carvalho que na foto abaixo ficou entre o Jorge Oliveira Dias (que viajou connosco até à Guiné em Fevereiro do ano pasado) e o António Carvalho o nosso autarca de Medas
O Dr. Giesteira levou o irmão António Giesteira e falou-se do seu projecto para uma nova clínica em Bissau.
O Francisco Barbeiro que pode ser visto aqui ao meio na foto abaixo e que foi tambem ele enfermeiro no Sul da Guiné
O Mesquita, amigo do Pimentel, aqui em baixo ao seu lado
O Télio Fernandes e o Fernando Costa, amigos do Ferreira Neto e que podem ser vistos na foto abaixo ao lado do Moita, que veio de propósito de Felgar para estar connosco.
Até quarta camaradas....
Álvaro Basto
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
P066-As desditas do Batista
Caros Amigos.
Volto a este caso.
E em 05JAN09 apurei que:
1-O processo está ainda para despacho no Sec. Estado;
2-Será enviado para o Min Finanças depois de despachado
3-É assinado pelo próprio Ministro das Finanças
4-Devolvido ao Min Def Nac para publicação em DR
5-O Min Finanças envia o processo à
CGAposentaçõesUm Ab. do
António Costa
Alguém tem sugestões para ajudar a "desncalhar" o processo do Gabinete do Sec. de Estado?
Afinal, era só tentar que o Batista usufruísse em vida daquilo a que ética, moral e legalmente tem direito....
Fica aqui o apelo
Alvaro Basto
P065-Quid pro quo ou a "quinta está desafinada"
Gostei desse termo tão usado afinal em retórica e eu só hoje vi como se escrevia… Se o vi porque escrevia é porque o li, e se o li foi porque estive com atenção a um esgrimir de palavras que evidentemente não serão as mais acertadas… O Marques Lopes admiro porque sabe muito bem moderar situações, é de uma humanidade incomparável e de uma calma de um bom "chefe" – não digo isto de bom chefe com qualquer sentimento de sarcasmo mas sim porque o sinto e já mais do que uma vez o vejo a moderar e bem e a dizer com calma – cuidado que isso pode ser complicado… TENS PACIÊNCIA QUE É O QUE MUITO FALTA AGORA.
Eu um dia na Tabanca Grande meti lá uma destas gaf's (não sei se é assim que se escreve), mas no entusiasmo da escrita a certa altura cometi a imprudência de dizer que haviam até indivíduos do QP que iam com vontades para o ultramar PARA TIRAR PROVENTOS… enfim… burrice atrás de burrice. De imediato o Pedro Lauret me chamou a atenção pela generalização e o Marques Lopes fez-me o mesmo… é por demais evidente que as minhas desculpas já estavam na manga e seguiram para o respectivo sítio… Nesse dia tinha-me fervido o sangue que sobrou de tanto" álcool que bebi então " que disse asneira… Tolo e empolgado disse "merda" muito rapidamente, falei de repente e mal pensado e saiu aquilo que efectivamente não era o que eu queria dizer. Melhor fora então estar calado, valeu-me efectivamente a reparação da desculpas que pedi e que se ajustavam ao caso… APRENDI, que quando falar não me posso focar num ou noutro caso mas na generalidade – aí todos iguais claro e na altura todos nos mesmos teatros de operações , a comerem a mesma coisa, usarem as mesmas balas e a "embrulharem" mais ou menos, etc… EU FUI TOLO NA ALTURA armado em escritor e crítico – aprendi a falar só quando fundamentado e nunca generalizar… mas… Ouçam:
Tinha – já não tenho porque morreu – um amigo que como eu tocava viola de fado no grupo de fados de Coimbra onde agora toco, aliás ele era um grande violista… Acontece que um dia estava num concerto público e… a certa altura, num intervalo de um fado – alguém chega-se à beira dele e diz: – a quinta está desafinada (quinta é a quinta corda da viola – um si). Meu amigo tentou afinar a quinta - tontintonton e pronto… lá continuou a tocar. Acabado aquele outro fado o mesmo indivíduo que tinha vindo ter com ele chegou-se novamente e disse: - a quinta está desafinada. Tin tintoton lá o meu amigo afinava e pronto já está afinada - outro fado e mais outro. Terminada outra música lá vinha o homenzinho e dizia: - amigo a quinta está desafinada. Bem o concerto fez-se e muito bem muitas palmas e o homenzinho já tinha sido afastado dali por estar a perturbar o concerto – afinal era doente da cabeça, maluco e só sabia dizer aquilo e pouco mais – a quinta está desafinada – UM TOLO como costumamos dizer em gíria e é mesmo… AFINAL A VIOLA ESTAVA AFINADA, o homem é que era infelizmente desafinado da cabeça…. qui-pro-quo , pois o meu amigo falecido já pensava que a viola estava mesmo empenada e não afinava… ESTA história verdadeira, nem sei se alegre ou triste mas foi assim e ainda hoje nos rimos de tal… Devemos ter cuidado com o que dizemos a não ser que sejamos como aquele homenzinho, e ter a certeza que a arma que empunhamos esteja limpa para que não aconteça alguém vir dizer que está suja…
Outra história esta militar foi passada em Vendas Nova… Num desfile passava a fanfarra e de fardas mais bonitas estava o Comendante etc etc … aquilo que tantas vezes assistimos… A fanfarra tocava e a caixas tocam assim trá, trá, trátrárá… pum (bombo), trá, trá, trátrárá… pum (bombo)….. Um bom homem 1º Sargento resolveu assim… Ao som do bombo dava um "peido" e ninguém ouvia… SEQUÊNCIA ENTÃO: trá, trá, trátrárá… pum (bombo) + "peido" ; trá, trá, trátrárá… pum (bombo) + peido. Bom a certa altura a fanfarra faz suspensão de bombo e ficou assim a sequência: trá, trá, trátrárá… pum (bombo) + peido, trá, trá, trátrárá… só "peido" - Fim. Muito sério o 1º diz: filhos da "puta" só agora é que haviam de parar…
Esta foi verdade também…
Aprendi aí também que – tenho que ter cuidado quando há uma suspensão – tenho que respeitar o ritmo da música… Etava eu na especialidade de atirador de Artilharia na EPA…
Um abraço, já que não pude ir hoje às sardinhas li tudo com mais atenção…
Um abraço, e quem tiver ouvidos que ouça, olhos que leia e quem não quiser - até à próxima sardinhada
QUERIA NO MOMENTO AGRADECER AO ÁLVARO QUE FEZ E PUBLICOU O VIDEO QUE GENTILMENTE MO OFERECEU, DO MEU GRUPO DE FADOS - SENDO QUE NESSE GRUPO ESTÁ TAMBÉM OUTRO COMBATENTE COMO NÓS E DA GUINÉ - O MANUEL MARTINS, IRMÃO DO ZÉ MARTINS QUE ESTÁ NA TABANCA GRANDE SEMPRE OPORTUNÍSSIMO NAS INTERVENÇÕES
David Guimarães
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
P064-Dores... ou preconceitos?
Caro PortojoFiz-te um "comentário" - Caro Portojo.Tens o mérito de escrever. Mas esta foi uma pedrada, só que penso que te enganaste, pois os charcos são noutros lados...Para melhor saber, gostava que me dissesses em que número do JN saíu esse comunicado da ANS. Abraço - mas não me respondeste. Hoje, o Álvaro Basto publicou uma nota da Lusa com ele. E eu li hoje também(07.01.09) esse comunicado no JN. O teu post referia-se a uma notícia do JN de 06.01.09. Estavas adiantado... Como é que a Lusa publica a 06.01.09 e tu dizes que o JN o tem nesse dia e eu só o li a 07.01.09?...
Falas no "poder infiltrado nas FA" e nos "tais infiltrados do governo"... mas não entendo quando dizes que "o partido manda dizer pela ANS...". Então, "o partido" não são os "infiltrados do governo"?... Não é o PS?!... Baralhaste-te, é claro. Querias-te referir àquele que sempre foi, desde o tempo da ditadura, "o partido", o PCP. E tu, anquilosado político, queres acusar a ANS de ser influenciada pelo PCP. Estás na linha do que era no tempo salazarista: quem está contra é comunista. Mas espanta-me que ainda assim seja.
Sabes muito bem que "420.480 escudos. Por cada homem das FA impostos já deduzidos" (és tu que dizes, não a ANS) não é verdade. É o que ganha um soldado, um cabo,um sargento, um alferes?... É malicioso. Estás a dividir uma galinha por não sei quantos e a dizer que cada um come galinha.
Indo às tuas mágoas da guerra, meu amigo, que também são minhas, devo dizer-te que nunca tive rennies para me afagar o estômago nem nunca comi lombo de porco assado na Guiné. Nem com gordura.
Finalmente ( por agora...), tens tantos sítios para onde amandar pedras... porque te lembras-te de amandar uma pedrada para as FA? Aliás, não entendo, porque aproveitas a Associação Nacional de Sargentos, quando ela apenas fez um comentário na base de dados estatísticos oficiais (não sou sargento, atenção!). Até conheces o seu Presidente, segundo me disseste. Haverá algum quid pro quo?
