Espero que gostem
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
P060- O David Guimarães e o Fado de Coimbra
Espero que gostem
sábado, 3 de janeiro de 2009
P058-O Nosso Almoço do Ano Velho
Melhor que palavras, as imagens contam bem a história do nosso ultimo almoço do ano 2008
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
P057-Um poema de Natal do Zé Manel para a Tertúlia
Zé Manel Lopes
P056-Antes da guerra (6) ...quando a cabeça já estava à tona d'água na minha "manhã submersa" - II
Mas, primeiro, deixem-me lembrar novamente Virgílio Ferreira na sua "Manhã Submersa":
«(...) Estranho poder este da lembrança: tudo o que me ofendeu me ofende, tudo o que me sorriu sorri: mas, a um apelo de abandono, a um esquecimento «real», a bruma da distância levanta-se-me sobre tudo, acena-me à comoção que não é alegre nem triste mas apenas «comovente»... Dói-me o que sofri e «recordo», não o que sofri e «evoco».
3 de Maio de 1961 - Depois de ouvir as façanhas dos soldados portugueses em Angola, ponho-me no lugar deles. Sonho com mil combates dos quais sou o herói... Tenho muitos sonhos desses. A maior parte das vezes saio vencedor, mas há vezes em que morro. No entanto, é sempre cercado de glória, sempre como um herói, sempre louvado e recordado pelos vivos. E eu, mesmo depois de morto, assisto à minha exaltação, ouço os comentários desvanecedores e o meu nome pronunciado por milhares de bocas, com uma série infinda de pontos de exclamação e admiração... Mas, quando acordo, acho melhor estar vivo.
15 de Maio de 1961 - O Gonçalves contou-me a história daquele seminarista que, desgostoso com a sua vida de clausura, despiu a sotaina, pendurou-a numa figueira e fugiu, saltando o muro do seminário. Também a mim me dá desejo de deixar esta grandessíssima porcaria. Se eu ao menos encontrasse uma figueira para pendurar todos os meus comlpexos, todas as minhas frustrações, todas estas cadeias que me rodeiam dia a dia e nas quais eu me vou deixando enlear... Falei com o Director Espiritual sobre os meus problemas sexuais. Mas que grande merda! Julga-me uma criança... “Estás a tornar-te um homem”. Há mais de três anos que me andam a dizer isto. Ainda não terei mudado nada?! E dão-me a ker livros que eu já devia ter lido há mais de três anos... Essa literatura para mim já não apresenta novidade nenhuma. Quando me dão a ler livros desses já eu há muito tenho ultrapassado o que neles vem escrito. E de que maneira! Além isso, como pode dar resultado uma direcção espiritual que sou obrigada a ter com um indivíduo que para isso é uma autêntica nulidade?
18 de Junho de 1961 - Hoje apetece-me saltar o muro... Mas, ai de mim se o salto! Serei tido como ladrão, hipócrita... Andei a enganar os superiores! Malandro! Roubei todos aqueles contos de réis que a congregação gastou com a minha educação. Serei verberado nas conferências, nas aulas. Coitado. Aquilo que tiver dito em particular será relatado da cátedra. Cátedra... que gozo. Como esse móvel por si tão nobre tem sido tão ultrajado! Serei verberado da tribuna do charlatão – isso sim – do charlatão que aproveita a falência do seu rival para valorizar a sua mercadoria. Como ficam fulos estes idólatras quando o seu deus cai do pedestal!... Se o ídolo ainda ficou incólume, tratam eles de o afeiar. Depois, pregam aos outros o Deus verdadeiro, irritados pelo seu erro... É um género de vingança, porque me deixaste ficar mal.
7 de Julho de 1961 - As insinuações serão uma táctica pedagógica?... Talvez façam parte da tão apregoado sistema preventivo, do qual têm tanta cagança...
16 de Julho de 1961 - Talvez eu tenha sido sincero demais. Quantos o terão sido como eu?... Eu e a minha estupidez, a minha infantil boa fé. Por ter falado das minhas masturbações sofro agora as consequências.
31 de Julho de 1961 - Submeto-me à vossa vontade, meu Deus, mas peço-vos permitais que eu desabafe a minha dor no pranto, na solidão. Mas acho que já tenho chorado demais para a minha idade e a solidão tem sido, nestes últimos dias, minha fiel companheira. Fiel, muito fiel. Por toda a parte. Mesmo quando estou com os outros. Não viestes vós trazer o amor ao mundo?... Mas não o vejo nem sinto. Quando julgo ver ao longe a sombra desse amos – aquele com que eu sonhei! – corro, mas – oh, desengano! – tanto mais dolorosa é a desilusão quanto mais desejado era o ilusor. Não era aquele o vosso amor? Aquele amor com que eu sonhei não é o que vós viestes trazer ao mundo? Se é, para que trouxestes, então, um amor que atormenta as aspirações humanas? Um amor que a maioria não atinge?... Um amor não para todos, mas só para os eleitos?...
6 de Agosto de 1961 - A maior dor de quem sofre é ser desconhecida a sua dor. Quando se sofre é sempre bom ter alguém que compartilhe da nossa dor.
15 de Agosto de 1961 - Começa a atacar-me a tristeza. Como são salgadas as lágrimas da dor!...Hoje rezei. Aguns rezam com uma esperança florida, o coração em festa. Outros haverá, certamente, como eu, que rezam orações de defuntos, nos lábios uma flor fanada...
16 de Agosto de 1961 - Muita alegria externa, muita dor no coração. Sabes, papel, o que é andar triste quando os outros estão alegres?... Sabes o que é não poder participar na alegria dos outros?... Estar triste pelo mesmo motivo por que os outros estão alegres?...
25 de Setembro de 1961 - Como são ridículos os juízos humanos! Que sabem aqueles senhores do Capítulo para poderem julgar? Quinze dias antes passeiam a consciência pelos corredores, por entre os cedros, espreitando com afã... Depois, em reunião, podem, com a consciência descansada, deixar escorregar pela caixa um miserável feijão preto. Um feijão preto que dará forças a um pobre para muitas noites e muitos dias?... E o Espírito Santo?! O Espírito Santo é Deus, e Deus só pode permitir o mal, nunca querê-lo – assim pregais!
25 de Outubro de 1961 - Vi no céu uma estrela cadente. Será a minha?... Não, porque no céu não brilha a minha estrela. Percorre outros caminhos, triste.
18 de Dezembro de 1961 - Falou-se muito sobre Goa. Os goeses Óscar e o Fremioth acham que foi natural, pois Goa é Índia. Se calhar têm razão.
O "terrorismo" em Angola e a "invasão" de Goa eram temas muito falados pelos padres, sempre dentro da linha governamental, claro.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
P053-Ainda a Ceia de Natal na Tabanca de Matosinho
É muito difícil abordar um tema destes quando dele somos também protagonistas (posso cair em gabarolice) – acho que efectivamente devo fazê-lo – com 8 dias de atraso, mas escrevo e curto… Este atraso está directamente proporcional às duas horas que eu demorei a percorrer afinal 25 Km para ir à nossa festa (às 4ªs feiras demora-me 20 minutos mais ou menos)…
Quando cheguei, meio nervoso e a correr: Milho Rei adentro com duas violas na mão e um cavaquinho que a mulher levava a andar depressa – fez a clientela para além da nossa sala se interrogarem – mas que "raio de acontecimento" vai haver ali dentro? Se me tivessem perguntado eu diria: ah, sou eu que me atrasei pelo caminho e vou ter com os meus amigos que me esperam - e quando vamos ter com os amigos devemos estar felizes e essencialmente colocarmo-nos ao seu serviço com o material que temos e dando aquilo que mais gostamos de fazer… É bom vermos as pessoas dizerem – alto que já chegou, ainda bem, mas os atrasos dão nisto – não pude fazer "biquinho" para a comida, foi logo comer naturalmente. Não era peixe com arroz de pilão (bianda) – temos que ir ao dicionário do Marques Lopes ver isto, e açúcar… Muito menos os copos eram de água, eram de vinho e do bom e para mim – terrível defeito decerto, cerveja. Gente feliz, solidária alegre, em celebração do Natal quer dizer – da amizade que mais nada do que isso se trata… Gente que gosta uma da outra, andou numa guerra e tem um elo forte que os une e pode usar o mesmo discurso – GUINÉ. É por demais evidente que não é o comer, todas as 4ªs feiras umas sardinhas ao meio dia que nos faz ser "tabanca", é essencialmente por já como que nos considerarmos uma família que logo damos por ela quando um de nós falta… Isto quer dizer, que cada vez mais faz sentido a Ceia de Natal na "nossa tabanca"
E então surge a parte artística… Não há dúvida que houve um enriquecimento muito grande na parte em que "ensarilhamos as armas" e pegamos nos instrumentos musicais… O cavaquinho, a braguesa, a guitarra as violas… Não tocamos tão desafinados assim, fizemos o que pudemos e bem em favor de todos os nosso amigos… Fez-se o que se pode e sem ensaios, as coisas saíram muito bem…. Para já uma coisa vi – temos pernas para andar neste caminho, e porque não fazê-lo? Um grupo de cantares da Tabanca de Matosinhos… arranjava-se tempos para ensaio e pronto… Pela predisposição que vi, breve temos mais músicos, tenho a certeza, e depois, é só crescer… Um ensaio quinzenal por exemplo, não seria mal. depois de se arranjar um reportório e claro englobado os cancioneiros da Guiné mas nunca esquecendo as cantigas de nossas terras que são lindas e fazem parte de nós… FICA A IDEIA…
E a ceia terminou e afinal… parece que ainda era cedo para nós que estivemos e ficamos felizes – mas isso já é nosso hábito, ser felizes como sabemos…
Um forte abraço a todos,
David Guimarães
FELIZ ANO NOVO
Eis que finalmente chega o David
Já não era sem tempo
Mas a tempo do concerto...
domingo, 28 de dezembro de 2008
P052-Lembranças de 2008
Lembrança da Casa TeresaO Álvaro Basto falava sobre as vantagens de comer sardinhas com seven-up. O Xico Allen, com a sua técnica foto-informática, fixou o momento em que o Guimarães, que até achava que com cerveja não era mau, e o Marques Lopes, que prefere o vinho, seguiam, no entanto, atentamente a prelecção. Já o Barbosa estava mais atento às observações picarescas do Lobo, enquanto o Zé Manel, que não tem nada a ver com bebidas gazosas, tentava saber se as uvas medravam...
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
P050-Poucos mas firmes
Alvaro Basto que marcaram presença no Milho Rei mesmo na véspera de Natal
Pois é camaradas....nem na véspera de Natal a tradição das quartas deixou de ser cumprida.
O Milho Rei foi palco de mais um almoço animado a recordar aqueles primeiros tempos em que a tabanca de Matosinhos era mesmo uma Tabanquinha. Só que e pela primeira vez há muitos meses não se comeram sardinhas assadas à quarta-feira.
Na altura soube-se que não apareceu mais gente por causa de uma malfadada gripe que anda aí assolar as bolanhas..Um abraço e votos de rápidas melhoras para o Zé Manel Lopes e para o Lobo que ficaram retidos entre lençóis.
Na quarta, véspera de Ano Novo lá estaremos de novo.
Álvaro Basto